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Brasil defende produção de bioenergia com desenvolvimento rural

O governo brasileiro afirma que são três os desafios que envolvem o tema dos biocombustíveis: a segurança energética, a mudança climática e o combate à fome e a pobreza.

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Redação (15/04/2008) – Equilíbrio entre a produção de energia  e de alimentos, com garantia de desenvolvimento rural e proteção ao meio ambiente e à biodiversidade foi o posicionamento defendido pelo Brasil na 30ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação  (FAO) para a América Latina e o Caribe, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O Representante Permanente do Brasil na FAO, José Antonio Marcondes de Carvalho, disse que são três os desafios que envolvem o tema dos biocombustíveis: a segurança energética, a mudança climática e o combate à fome e a pobreza.

Marcondes de Carvalho afirmou que o Brasil é um grande produtor de alimentos e de biocombustíveis. “O país tem disponibilidade de terras, de tecnologia, crescentes níveis de produtividade na agricultura e programas de inclusão social que dão condições de estar na vanguarda neste setor”, ressaltou.

A experiência brasileira na utilização de arranjos para a cadeia produtiva de biocombustíveis foi lembrada por Marcondes Carvalho. Para ele, a Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil (Cooperbio), em Palmeira das Missões/RS é um exemplo bem sucedido de produção integrada de biocombustíveis com produção de alimentos.

“Com o conhecimento e experiência, o Brasil está pronto a colaborar com a FAO para ajudar os países interessados na produção de energia limpa e acessível”, acrescentou Marcondes de Carvalho. Essa cooperação prevê a disseminação de know-how e capacitação institucional para aqueles que queiram adotar um programa nacional de produção e uso de biocombustíveis.

O representante permanente defendeu também que o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar reduz consideravelmente a emissão de gases causadores do efeito estufa e a dependência dos combustíveis fósseis, como o petróleo.

“A produção de biodiesel contempla ainda a preservação do meio ambiente. Por meio da política de incentivo ao biodiesel, o governo promove a inclusão social de milhares de brasileiros nas regiões mais carentes e promove o desenvolvimento regional”, ressaltou. Ele lembra que o selo combustível social adotada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário  (MDA) permite a geração de emprego e renda aos agricultores familiares. O produtor de biodiesel tem benefícios fiscais e acesso a financiamentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições financeiras credenciadas.

O documento do painel “Oportunidades e desafios da produção de biocombustíveis para a segurança alimentar e do meio ambiente na América Latina e Caribe” foi apresentado pelo coordenador de Biocombustíveis do Escritório Regional da FAO para América Latina e Caribe, Guilherme Schuetz. Além do Brasil, outros países como Bolívia, Uruguai, Argentina, Nicarágua e México apresentaram ponderações e seus posicionamentos frente ao documento da FAO. Até o encerramento da conferência, sexta-feira (18), será concluído o documento deste painel.          

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi representado neste painel pelo diretor do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia, da Secretaria de Produção e Agroenergia do Mapa, Alexandre Strapasson. O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto presidiu a mesa do painel desta tarde.

No sábado (19), está prevista uma visita dos representantes das delegações à usina de açúcar e álcool Santa Adélia, próximo a Ribeirão Preto (SP).

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