Lula busca impulso comercial com a China em meio ao caos tarifário de Trump

Autoridades brasileiras elogiaram na segunda-feira o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, como uma oportunidade de atrair investimentos e impulsionar as exportações brasileiras para um país frustrado com as políticas tarifárias voláteis do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em um fórum empresarial, Lula comemorou mais de US$ 4,5 bilhões em futuros investimentos chineses em setores brasileiros que vão da indústria automobilística e energia renovável até produtos farmacêuticos e semicondutores.
“Se depender do meu governo, nossa relação com a China será indestrutível”, disse Lula a líderes empresariais em Pequim.
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Espera-se também que sua visita gere grandes investimentos em ferrovias e outras infraestruturas agrícolas de exportação, disseram autoridades. Brasília espera aumentar as exportações de grãos e outros bens atualmente fornecidos pelos EUA à China, que se tornaram mais caros em uma guerra comercial prejudicial entre Washington e Pequim.
“O Brasil busca… ampliar os laços de amizade e comércio com a China, gerando grandes conquistas recíprocas, principalmente em um momento de instabilidade comercial provocada recentemente pelos Estados Unidos”, disse o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, no fórum empresarial em Pequim.
Embora os EUA e a China tenham chegado a um acordo na segunda-feira para reduzir temporariamente as tarifas, as barreiras comerciais e a desconfiança restantes reforçaram as apostas em uma parceria mais confiável entre Pequim e Brasília.
A visita de quatro dias de Lula à China inclui seu terceiro encontro bilateral com Xi desde que o presidente brasileiro assumiu o cargo em 2023. Outros líderes, incluindo o presidente do Chile, Gabriel Boric, e o colombiano, Gustavo Petro, também visitaram Pequim para reuniões entre autoridades chinesas e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, CELAC.
O encontro Lula-Xi na terça-feira ocorre após a elevação das relações diplomáticas entre os dois países durante uma reunião em novembro passado no Brasil, onde os líderes assinaram mais de 40 acordos em diversos setores, incluindo infraestrutura, energia e agronegócio.
Na segunda-feira, autoridades comemoraram os primeiros frutos desses acordos, incluindo um investimento de US$ 1 bilhão do Envision Group da China na produção brasileira de combustível de aviação renovável a partir da cana-de-açúcar.
Empresa de entrega chinesa Meituan (3690.HK), anunciou um investimento de 5 bilhões de reais para entrar no mercado brasileiro com seu aplicativo Keeta, segundo a agência governamental de comércio e investimentos ApexBrasil. CGN Power (003816.SZ), também detalhou planos para investir R$ 3 bilhões em um centro eólico, solar e de armazenamento de energia. Great Wall Motor (601633.SS), está se preparando para investir 6 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão) em fábricas de automóveis brasileiras.
Empresa chinesa de semicondutores Longsys (301308.SZ), anunciou um investimento de R$ 650 milhões para expandir sua capacidade no Brasil. A Longsys, maior fabricante chinesa de chips de memória em receita, adquiriu uma subsidiária brasileira há dois anos, agora chamada Zilia, o que pode ajudar a evitar tarifas e controles de exportação dos EUA direcionados a chips fabricados na China.
Lula também se encontrou na segunda-feira com o CEO da fabricante chinesa de armas Norinco (000065.SZ).
PROJETOS FERROVIÁRIOS
O ministro dos Transportes do Brasil, Renan Filho, disse à Reuters que investidores chineses estavam interessados em vários projetos ferroviários no Brasil, incluindo propostas para ligar regiões agrícolas e de mineração a portos como Barcarena, Açu e o novo porto operado pelos chineses em Chancay, no Peru.
“Assinaremos todos os projetos que tenham sinergia rodoviária e ferroviária com potencial de aumentar as exportações para a China, especialmente na agricultura, mas também em outras áreas, como mineração”, disse ele.
O ministro admitiu que os planos foram apresentados aos investidores chineses algumas vezes ao longo dos anos, mas sugeriu que o relacionamento entre os dois países agora está maduro o suficiente para que os projetos avancem.
Ele disse que os países chegaram a um acordo mais firme sobre seu relacionamento no ano passado, após anos em que diplomatas chineses tentaram, sem sucesso, recrutar o Brasil para a Iniciativa Cinturão e Rota, o programa global de infraestrutura da China. Em novembro passado, os dois países concordaram em encontrar “sinergias” entre os planos da China e os programas de desenvolvimento do Brasil.
A China é o maior mercado de exportação do Brasil e um dos maiores investidores estrangeiros na América Latina, embora tenha se mostrado mais cautelosa nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China, os investimentos chineses no Brasil totalizaram US$ 1,73 bilhão em 2023, um aumento de 33% em relação ao ano anterior, mas ainda o segundo menor desde 2007.
Tulio Cariello, diretor de pesquisa do conselho, disse que o transporte, e particularmente o ferroviário, têm enorme potencial para atrair investimentos chineses, embora no passado esses projetos tenham sido paralisados por obstáculos burocráticos e orçamentários.
“Vejo que há muito interesse chinês”, disse ele, acrescentando que os dois países estão mais bem preparados para superar obstáculos agora. “Agora, há um conhecimento muito mais abrangente sobre o Brasil na China do que antes.”
Fonte: Reuters





















