Saiba como Mariangela Hungria, da Embrapa, foi reconhecida entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela TIME
Ciência no agronegócio: pesquisadora da Embrapa integra lista das 100 pessoas mais influentes do mundo

A pesquisadora Mariangela Hungria foi incluída na lista TIME100 2026, elaborada pela revista Time, que reúne as 100 pessoas mais influentes do mundo. A cientista brasileira aparece na categoria “Pioneiros”, que reconhece lideranças com impacto global em inovação e desenvolvimento.
A inclusão reforça a relevância da pesquisa brasileira no cenário internacional, especialmente no avanço de tecnologias sustentáveis aplicadas à agricultura. Em sua manifestação, Mariangela destacou o caráter coletivo da conquista, atribuindo o reconhecimento ao trabalho desenvolvido na Embrapa, com foco na substituição de insumos químicos por alternativas biológicas.
Segundo a pesquisadora, o reconhecimento reflete uma mudança global na forma de produzir alimentos, com maior valorização de práticas sustentáveis, alinhadas ao conceito de saúde única, que integra solo, meio ambiente e saúde humana.
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Trajetória científica consolidada impulsiona inovação na agricultura
Engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Mariangela Hungria construiu uma carreira voltada à microbiologia do solo e à inovação em insumos biológicos. Desde 1982, atua como pesquisadora da Embrapa, com destaque para sua contribuição no desenvolvimento de tecnologias voltadas à fixação biológica de nitrogênio.
Ao longo de sua trajetória, a cientista participou do desenvolvimento de mais de 30 tecnologias e acumula mais de 500 publicações científicas. Seu trabalho também inclui a formação de recursos humanos, com orientação de mais de 200 estudantes de graduação e pós-graduação.
Tecnologias biológicas elevam produtividade e reduzem impactos ambientais
As pesquisas lideradas por Mariangela têm contribuído diretamente para ganhos de produtividade e sustentabilidade na agricultura brasileira. Um dos principais avanços está na utilização de microrganismos capazes de substituir fertilizantes nitrogenados, reduzindo custos e impactos ambientais.
Estudos conduzidos pela pesquisadora demonstraram que a inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode aumentar a produtividade em cerca de 8%, além de eliminar a necessidade de adubação nitrogenada. Atualmente, essa prática é adotada em aproximadamente 85% da área cultivada com soja no Brasil.
Outro destaque é a coinoculação, tecnologia que combina diferentes microrganismos para potencializar o crescimento das plantas. A técnica já está presente em cerca de 35% das lavouras de soja e contribuiu para uma economia estimada de US$ 25 bilhões em fertilizantes nitrogenados apenas em 2025.
Além dos ganhos econômicos, as soluções biológicas também têm impacto ambiental significativo. Em 2024, o uso dessas tecnologias contribuiu para evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Sustentabilidade e inovação reforçam competitividade do agro brasileiro
O trabalho da pesquisadora também se estende a culturas como feijão, milho, trigo e pastagens, ampliando o uso de insumos biológicos em diferentes sistemas produtivos. Entre os avanços recentes, destaca-se uma tecnologia que permite reduzir em até 25% a adubação nitrogenada no milho.
A trajetória de Mariangela Hungria inclui ainda reconhecimento internacional relevante, como o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, recebido em 2025.
A presença da cientista na lista TIME100 reforça o papel estratégico da ciência e da inovação no fortalecimento do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário global que exige maior eficiência produtiva aliada à sustentabilidade ambiental.
Referência: Embrapa























