Análise econômica Suinocultura: preços do suíno vivo caem diante de demanda fraca e Influenza Aviária

O mercado de suínos no Brasil registrou uma queda nos preços do animal vivo na maioria das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta última semana. A desvalorização é atribuída, principalmente, ao enfraquecimento da demanda típico de final de mês e à crescente especulação do mercado em decorrência dos desdobramentos do caso de Influenza Aviária, mais conhecida como gripe aviária, no país.
Os cortes de carne suína no atacado acompanharam o movimento de baixa do suíno vivo, consolidando um cenário de pressão sobre os preços da proteína. Este panorama contrasta com a semana anterior, onde as variações de preços foram pequenas e as médias de maio, apesar da leve desvalorização da carcaça especial, ainda se mantinham acima das do mês anterior.




Análise
A pressão de baixa nos preços do suíno vivo, observada nos últimos dias, é um reflexo direto do comportamento da demanda no final do mês. Historicamente, este período é marcado por um menor poder de compra do consumidor, o que leva à redução das vendas e, consequentemente, a ajustes nos preços para manter a liquidez do mercado e evitar o acúmulo de estoques.
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Além da sazonalidade, o mercado tem sido impactado pela gripe aviária. Agentes do setor consultados pelo Cepea relatam que o mercado spot de suíno vivo se tornou altamente especulativo. A incerteza gerada pelos desdobramentos do caso de Influenza Aviária em uma granja avícola comercial no Rio Grande do Sul, confirmado no dia 16 de maio, tem dificultado as comercializações. A apreensão dos produtores suinícolas é compreensível, pois eventuais alterações na oferta doméstica de carne de frango podem impactar diretamente os preços da carne suína, dada a forte concorrência entre as duas proteínas no prato do consumidor.
Comparativo semanal
Na semana anterior, o mercado de suínos já demonstrava sinais de ajustes. Embora as variações de preços fossem pequenas, a carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo registrava uma leve desvalorização. Mesmo com essa queda pontual, as médias de preços de maio ainda se mantinham acima das de abril, indicando um cenário de maior valorização em um horizonte um pouco mais amplo.
A preocupação com a gripe aviária já era presente na semana passada, com agentes da suinocultura expressando atenção redobrada e certa apreensão. A confirmação do primeiro caso em granja comercial ressaltou a interconexão entre os mercados de aves e suínos, evidenciando como a saúde de uma proteína pode influenciar diretamente a outra.
Perspectivas
A combinação de demanda mais fraca e a incerteza gerada pela gripe aviária coloca o setor suinícola em um momento de cautela. A capacidade de recuperação dos preços dependerá da evolução do cenário de demanda e, principalmente, do controle e desdobramentos da gripe aviária. Produtores e frigoríficos seguem atentos, buscando estratégias para minimizar os impactos e manter a estabilidade em um mercado cada vez mais sensível a fatores externos.
Fatores que influenciam o mercado da suinocultura
- Custos de produção (especialmente grãos): Os preços do milho e da soja, principais componentes da ração, são cruciais para a rentabilidade da atividade. Flutuações nesses custos impactam diretamente a margem do produtor.
- Demanda doméstica: O poder de compra do consumidor brasileiro e suas preferências por carnes são determinantes para o consumo interno e, consequentemente, para o escoamento da produção.
- Exportações e cenário internacional: A demanda de grandes importadores, como a China, e a ocorrência de crises sanitárias em outros países produtores (que podem abrir ou fechar mercados) têm um peso significativo nos preços e volumes comercializados.
- Concorrência com outras proteínas: A relação de preços e a oferta de carne bovina e de frango impactam a competitividade da carne suína no mercado doméstico, influenciando a escolha do consumidor.
- Sanidade animal: O surgimento e a disseminação de doenças como a Peste Suína Africana (PSA) ou a Influenza Aviária (IA) podem gerar barreiras sanitárias, afetar a produção e desorganizar o comércio global, causando impactos severos nos preços.
Aquicultura: cotações regionais em destaque

A aquicultura brasileira continua a mostrar sua relevância econômica, com os preços regionais do pescado apresentando variações significativas no dia 23 de maio. As cotações, divulgadas pelo Cepea, revelam um cenário diverso para os produtores em diferentes localidades.

A variação de preços entre as regiões é um indicativo da dinâmica de oferta e demanda local, além de fatores como custos de produção e logística de transporte. O Norte do Paraná apresentou o maior preço, com $8,65/kg, o que pode refletir uma demanda aquecida ou uma oferta mais restrita na região. Por outro lado, o Oeste do Paraná registrou o menor valor, $7,43/kg, sugerindo um cenário de maior competitividade ou maior volume de produção.
As regiões mineiras, Morada Nova de Minas ($8,47/kg) e Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ($8,33/kg), mantiveram-se em patamares intermediários, evidenciando a consistência do mercado local. A região dos Grandes Lagos, em São Paulo, com $8,13/kg, também se posicionou de forma equilibrada no mercado.
Esses dados são importantes para os produtores e comerciantes do setor aquícola, servindo como base para a tomada de decisões estratégicas em relação à produção, estocagem e comercialização, visando otimizar a rentabilidade e atender às demandas do mercado consumidor. Acompanhar de perto essas flutuações de preços é essencial para a sustentabilidade e o crescimento contínuo da aquicultura no Brasil.
Grãos: Soja reage, Milho sente pressão da safrinha e Trigo aguarda safra nova

O mercado brasileiro de grãos encerra a última semana de maio com movimentos distintos entre as principais commodities. Enquanto a soja busca um direcionamento e mostra sinais de recuperação, o milho enfrenta pressões de baixa devido ao avanço da segunda safra e o trigo aguarda o cultivo da nova temporada com preços enfraquecidos. Fatores climáticos e o cenário internacional seguem ditando o ritmo dos negócios.
Soja: em busca de direcionamento e reação nos preços
O mercado brasileiro de soja parece estar buscando um novo rumo, influenciado por notícias sobre as safras na América do Sul, o ritmo de cultivo nos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China, conforme indicam pesquisadores do Cepea. Na última semana, os valores oscilaram em uma faixa estreita, mas apresentaram uma reação após perdas recentes. No mercado spot nacional, produtores estão mais retraídos, aguardando novas valorizações, enquanto compradores tentam adquirir lotes a preços mais baixos.
No cenário externo, os preços da soja estão em alta, impulsionados por condições climáticas adversas nos Estados Unidos e na Argentina, que geram preocupações sobre a oferta global.
Confira os valores da soja (29/05):
- Paranaguá: R$ 133,00
- Paraná: R$ 128,18
Milho: colheita da safrinha pressiona cotações internas
A colheita da segunda safra de milho (safrinha) já foi iniciada, ainda que de forma localizada, no Paraná e em partes de Mato Grosso, segundo o Cepea. Com o avanço da colheita da safra verão se aproximando do fim, o volume de cereal disponível no mercado spot está maior, o que tem pressionado as cotações para baixo. Muitos agentes da demanda, atentos à expectativa de uma safra abundante, mantêm-se afastados, esperando por novas desvalorizações.
Curiosamente, no mercado externo, os preços do milho mostram avanço. Essa alta é influenciada por relatos de chuvas em excesso na Argentina, tempestades em regiões produtoras dos Estados Unidos e previsões de geadas no Centro-Sul do Brasil na próxima semana. No entanto, essa reação nos valores externos não foi suficiente para conter as quedas de preços no mercado brasileiro.
Além do clima, o setor de milho também está vigilante aos desdobramentos do caso de gripe aviária confirmado em granja comercial no Brasil, que pode impactar a demanda por milho no médio prazo, já que o cereal é um insumo fundamental para a avicultura.
- O valor do milho (29/05) é de R$ 69,17
Trigo: foco na nova safra e preços enfraquecidos
As atenções no mercado de trigo estão voltadas para o cultivo da nova temporada, o que faz com que as negociações atuais ocorram de forma mais pontual e os preços permaneçam enfraquecidos, conforme levantamentos do Cepea.
Uma recente reação nos valores externos do cereal, entretanto, pode vir a dar suporte ao mercado interno, especialmente neste período de baixa oferta doméstica. Em relação às importações, os dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que até a terceira semana de maio (11 dias úteis), o Brasil importou 359,36 mil toneladas de trigo, volume 45% abaixo do registrado em maio de 2024.
Confira os valores do trigo (29/05):
- Paraná: R$ 1.536,04
- Rio Grande do Sul: R$ 1.354,45
Perspectivas
Para os próximos dias, o mercado de grãos no Brasil continuará monitorando de perto as condições climáticas nas principais regiões produtoras globais, especialmente nos Estados Unidos e na Argentina, que ditam o ritmo dos preços externos. Internamente, a colheita da safrinha de milho e o andamento do plantio da nova safra de trigo serão fatores cruciais. A evolução da demanda, tanto doméstica quanto de exportação, em um cenário de incerteza econômica e sanitária (com a gripe aviária), também será determinante para a formação de preços e a tomada de decisão de produtores e compradores.
Fatores que influenciam o mercado de grãos
- Condições climáticas: O clima é o principal fator que afeta a oferta de grãos. Secas prolongadas, excesso de chuvas, geadas e tempestades em regiões produtoras impactam diretamente a produtividade, a qualidade e, consequentemente, os preços.
- Oferta e demanda global: A relação entre a produção mundial de grãos (oferta) e o consumo global (demanda), incluindo o tamanho dos estoques, é determinante para os preços. Maiores ofertas tendem a diminuir os preços, enquanto demandas crescentes (especialmente de grandes importadores como China) ou quebras de safra valorizam os produtos.
- Cotações nas bolsas internacionais: As negociações em bolsas de commodities como a de Chicago (CBOT) são um forte balizador para os preços dos grãos no mercado global, refletindo as expectativas e realidades de oferta e demanda.
- Políticas governamentais e cambiais: Taxas de juros, políticas de exportação/importação (como tarifas e subsídios) e a cotação do dólar em relação ao real influenciam a competitividade dos grãos brasileiros no mercado internacional e os custos de produção internos.
- Cenário geopolítico e sanidade animal: Conflitos comerciais entre países ou crises sanitárias (como surtos de doenças em rebanhos que consomem grãos, a exemplo da gripe aviária afetando a avicultura) podem alterar fluxos de comércio, impactar a demanda por ração e gerar instabilidade nos preços.





















