Entenda como o protecionismo dos EUA prejudica cooperação agrícola com a China e quais são as consequências para os agricultores
Protecionismo dos EUA prejudica cooperação agrícola com a China

O protecionismo dos Estados Unidos está minando a cooperação agrícola com a China, e os agricultores não deveriam arcar com o preço da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Essa foi a mensagem de Xie Feng, embaixador de Pequim em Washington, em um discurso publicado no sábado.
A agricultura se tornou um ponto de discórdia crucial entre os dois países, em meio à guerra tarifária lançada pelo presidente Donald Trump. Em março, a China impôs taxas de até 15% sobre US$ 21 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios americanos. Washington e Pequim estenderam em agosto uma trégua de 90 dias, evitando tarifas mais altas.
Apesar da trégua, as exportações agrícolas dos EUA para a China caíram 53% no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período em 2024, com um declínio de 51% na soja. Xie Feng ressaltou que “os agricultores americanos, assim como seus colegas chineses, são trabalhadores e humildes. A agricultura não deve ser sequestrada pela política, e os agricultores não devem ser obrigados a pagar o preço de uma guerra comercial”.
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O embaixador defendeu que a agricultura é um “pilar das relações bilaterais”, com a China tendo uma vantagem em produtos intensivos em mão de obra e os EUA se destacando em commodities a granel. No entanto, a Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, anunciou em julho que Washington restringiria a compra de terras agrícolas por “adversários estrangeiros”, incluindo a China, e o Departamento de Agricultura demitiu 70 pesquisadores estrangeiros em uma revisão de segurança nacional.
Xie Feng desconsiderou as preocupações dos EUA, afirmando que os investidores chineses detêm menos de 0,03% das terras agrícolas americanas e classificou as restrições como “manipulação política”.
Atualmente, exportadores de soja dos EUA correm o risco de perder bilhões de dólares em vendas para a China, já que as negociações comerciais se arrastam e compradores chineses estão garantindo cargas do Brasil para a importante temporada de comercialização americana.





















