Descubra como a Embrapa utiliza inteligência artificial para estudar o comportamento reprodutivo do Pirarucu, um peixe amazônico
Embrapa utiliza inteligência artificial para estudar o comportamento reprodutivo do Pirarucu

A Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em parceria inédita com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está utilizando inteligência artificial (IA) para estudar o comportamento reprodutivo do pirarucu (Arapaima gigas). A pesquisa adapta técnicas de análise comportamental de roedores para a realidade da aquicultura, com o objetivo de aumentar a previsibilidade da reprodução do maior peixe amazônico.
O uso de IA na piscicultura ainda é uma nova fronteira no Brasil, que tradicionalmente concentra essas tecnologias em saúde, pecuária e agronegócio de grãos.
Como a IA Monitora o Pirarucu
A pesquisa utiliza redes neurais profundas para rastrear automaticamente os movimentos do pirarucu em gravações ininterruptas de vídeo feitas em 12 viveiros escavados.
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- Rastreamento Automatizado: A IA detecta as subidas do pirarucu à superfície (o peixe tem respiração aérea) e registra o dia, hora e coordenadas do viveiro, gerando dados quantitativos e padronizados.
- Aprendizado de Máquina: O modelo adota o treinamento de redes neurais profundas, usando o software open source DeepLabCut (DLC), uma ferramenta amplamente usada para rastreamento animal. A máquina é treinada com cerca de 200 quadros para reconhecer o peixe e os limites do viveiro, ajustando-se a variações de luminosidade e clima.
- Vantagem: Em vez de depender da observação humana (limitada e subjetiva), a IA fornece dados contínuos, facilitando a tomada de decisões no manejo.
Aplicação Reprodutiva: Detecção Precoce
O principal objetivo na Embrapa é mapear a formação do ninho do casal de pirarucus, um momento crucial para os produtores:
- Comportamento Parente: Após a reprodução, o casal demonstra um comportamento de cuidado parental, permanecendo no mesmo lugar e parando de buscar comida.
- Benefício para o Produtor: A IA permitirá identificar o momento exato e precoce em que esse processo acontece. A coleta de ovos recém-fertilizados ou alevinos o mais cedo possível é vital, pois a demora em retirá-los do viveiro resulta na perda de milhares de alevinos, um dos grandes desafios da produção.
O projeto é financiado pelo consórcio de pesquisa internacional Aquavitae, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e por emenda parlamentar. O professor Cleiton Aguiar (UFMG) destaca que essa abordagem coloca o Brasil em uma posição pioneira na integração de tecnologia de ponta com a produção aquícola de espécies nativas.





















