Entenda como os casos de influenza aviária na Argentina e no Uruguai ampliam o alerta sanitário no Brasil e suas consequências
Casos de Influenza Aviária na Argentina e no Uruguai ampliam alerta sanitário no Brasil

A confirmação recente de casos de influenza aviária na Argentina e no Uruguai reforçou o estado de atenção no Brasil, especialmente após a retomada das exportações brasileiras de carne de aves para a China, suspensas por seis meses depois do primeiro foco da doença em granja comercial, registrado em maio do ano passado.
Na Argentina, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar confirmou, em 24 de fevereiro, um novo surto em uma granja comercial no município de Ranchos, na província de Buenos Aires. O episódio foi marcado por alta mortalidade de aves e resultou no fechamento imediato do estabelecimento, poucos meses após o país ter recuperado o status sanitário de livre da doença, declarado em outubro de 2025.
Impactos sobre exportações e histórico recente
O novo foco reacende preocupações no setor avícola argentino, que havia ampliado em 8% suas exportações de carne de aves entre janeiro e agosto de 2025, alcançando 112 mil toneladas e receita de US$ 160 milhões. Em 2023, um surto anterior levou à suspensão das exportações e provocou perdas estimadas em US$ 160 milhões, com mais de 2,2 milhões de aves abatidas em 13 granjas.
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Medidas sanitárias e restrições comerciais
Seguindo o plano de contingência, o Senasa determinou o isolamento da granja afetada, a supervisão do abate das aves, além da limpeza e desinfecção das instalações. Foi estabelecida uma zona perifocal de 3 km e uma área adicional de vigilância de 7 km, com restrições de circulação e monitoramento epidemiológico. As autoridades argentinas também comunicaram oficialmente o caso à Organização Mundial de Saúde Animal, suspendendo temporariamente exportações para países com acordos sanitários de ausência da doença.
Situação no Uruguai e diferenças sanitárias
No Uruguai, o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pescas declarou emergência sanitária após a detecção do vírus H5 em aves silvestres nas regiões de Canelones, Maldonado e Rocha. Como os casos não envolvem granjas comerciais, não houve restrições às exportações, diferentemente do cenário argentino.
Brasil mantém vigilância reforçada
No Brasil, o Ministério da Agricultura mantém a influenza aviária como prioridade sanitária. O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, destacou o aumento do risco nesta época do ano devido ao fluxo migratório de aves silvestres. Em fevereiro, o Congresso aprovou a liberação de R$ 83,5 milhões adicionais para o enfrentamento de emergências sanitárias, incluindo a gripe aviária.
A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que segue monitorando a situação nos países vizinhos e reforçando os protocolos de biosseguridade na avicultura nacional, com medidas preventivas e controle rigoroso nas granjas.
Referência: Valor Econômico/Poultry World





















