A produção de frango em Angola cresce em 2026, mas a dependência de importações ainda é uma realidade para muitos
Produção de frango em Angola avança em 2026, mas país segue dependente de importações

Durante anos, Angola manteve forte dependência das importações de carne de frango congelada provenientes dos Estados Unidos, Brasil e da União Europeia para abastecer o mercado interno. Nos últimos anos, no entanto, restrições cambiais, custos logísticos elevados e a necessidade de preservar divisas estimularam investimentos na produção local.
Em 2026, o setor avícola angolano apresenta avanço gradual, impulsionado pela ampliação da produção doméstica e pela demanda estável por proteína animal. A produção nacional de carne de frango deverá alcançar cerca de 60 mil toneladas no ano, crescimento estimado em 9% em relação ao período anterior.
A avicultura desempenha papel estratégico na segurança alimentar do país. Ao mesmo tempo em que a produção cresce, o consumo interno também segue em expansão, com previsão de aumento de aproximadamente 5%.
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Infraestrutura e custos de ração ainda limitam expansão
Apesar do progresso observado no setor, a avicultura angolana ainda enfrenta obstáculos estruturais. Entre os principais desafios estão a infraestrutura logística limitada, o alto custo da ração e restrições regulatórias relacionadas ao uso de produtos geneticamente modificados.
A ausência de uma legislação nacional de biossegurança impede a importação de grãos geneticamente modificados, obrigando o país a adquirir grãos e oleaginosas não transgênicas em mercados mais distantes. Essa dinâmica eleva os custos de produção, especialmente para pequenas propriedades rurais e sistemas produtivos que dependem de galinhas poedeiras descartadas para a produção de carne.
Mesmo com esses entraves, a expansão gradual da produção local é vista como um passo importante para reduzir a dependência externa e, no longo prazo, possibilitar a abertura de mercados regionais para exportação.
Recuperação econômica estimula consumo
O crescimento do consumo de carne de frango em Angola está diretamente associado a fatores econômicos recentes. O aumento do salário mínimo nacional, que passou de 70 mil para 100 mil kwanzas em setembro de 2025, contribuiu para ampliar o poder de compra da população.
Paralelamente, a inflação apresentou recuo significativo, passando de 31% em agosto de 2024 para cerca de 19% em julho de 2025, resultado de políticas monetárias mais restritivas e maior estabilidade cambial.
Essas condições favorecem principalmente os trabalhadores do setor informal, que representam grande parcela da população. No mercado consumidor, as coxas de frango provenientes dos Estados Unidos continuam entre os produtos mais populares.
Importações permanecem elevadas
Mesmo com o crescimento da produção doméstica, Angola ainda depende fortemente do comércio internacional para atender à demanda interna por carne de frango.
A previsão é de que as importações alcancem cerca de 270 mil toneladas em 2026, volume ligeiramente superior às 260 mil toneladas registradas em 2025. Em 2024, o país já havia importado mais de 258 mil toneladas do produto.
A maior disponibilidade de divisas estrangeiras e a demanda constante sustentam esse crescimento moderado, embora limitações no financiamento do comércio internacional ainda restrinjam uma expansão mais expressiva.
Brasil amplia presença no mercado angolano
A dinâmica entre os fornecedores internacionais também passou por mudanças recentes. O Brasil ampliou significativamente sua participação no mercado angolano, registrando crescimento de 29% nas exportações para o país em 2025 em relação ao ano anterior.
Em contrapartida, as vendas dos Estados Unidos recuaram cerca de 25% no mesmo período.
Atualmente, Angola não realiza exportações de carne de frango, uma vez que a produção nacional ainda não é suficiente para atender plenamente a demanda doméstica. No entanto, autoridades e investidores do setor avaliam que a expansão da capacidade produtiva poderá abrir espaço para futuras vendas ao mercado regional africano.
Referência: Poultry World





















