Negociações em Paris entre EUA e China abordam a ampliação do comércio agrícola e minerais estratégicos entre os países
EUA e China discutem ampliação do comércio agrícola e minerais estratégicos em negociações em Paris

Autoridades econômicas de alto nível dos Estados Unidos e da China realizaram neste domingo, em Paris, negociações consideradas “notavelmente estáveis”, nas quais foram discutidas possíveis áreas de cooperação comercial, incluindo agricultura, minerais críticos e mecanismos de comércio administrado entre as duas maiores economias do mundo.
As conversas foram conduzidas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. De acordo com fontes ouvidas pela agência Reuters, os encontros foram descritos como “francos e construtivos” e devem servir de base para possíveis acordos a serem avaliados pelo presidente norte-americano Donald Trump e pelo presidente chinês Xi Jinping em reunião prevista para o final de março, em Pequim.
China sinaliza interesse em ampliar compras agrícolas
Durante as negociações, o governo chinês demonstrou abertura para ampliar as compras de produtos agropecuários norte-americanos. Entre os itens mencionados estão carne bovina, carne de aves e outras culturas agrícolas além da soja.
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Segundo uma das fontes, a China também reafirmou o compromisso de adquirir cerca de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano ao longo dos próximos três anos, mantendo um dos principais fluxos comerciais do agronegócio global.
As reuniões ocorreram na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, e fazem parte de uma série de encontros iniciados no ano anterior com o objetivo de reduzir tensões comerciais entre os dois países.
Também participaram das discussões o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o principal negociador comercial da China, Li Chenggang.
Proposta de novos mecanismos de gestão do comércio
Entre os temas debatidos está a criação de novos mecanismos institucionais para gerir o comércio e os investimentos bilaterais. As propostas incluem a formação de um Conselho de Comércio e de um Conselho de Investimento entre Estados Unidos e China.
De acordo com as fontes, o Conselho de Comércio é o mecanismo mais avançado nas negociações e teria como objetivo identificar produtos e setores nos quais os dois países poderiam ampliar o intercâmbio comercial de maneira equilibrada, sem comprometer a segurança nacional ou cadeias de suprimentos estratégicas.
Já o Conselho de Investimento teria uma atuação mais pontual, voltada à resolução de questões específicas relacionadas a investimentos entre empresas e governos dos dois países.
Minerais críticos também entram na pauta
Outro tema relevante discutido nas reuniões foi o fornecimento de minerais críticos produzidos pela China e utilizados pela indústria norte-americana. Autoridades dos Estados Unidos manifestaram preocupação com o acesso restrito ao ítrio chinês, mineral utilizado na fabricação de turbinas de motores a jato e em outras aplicações industriais estratégicas.
As fontes indicaram que ambas as partes identificaram possíveis caminhos para reduzir tensões nesse segmento, embora detalhes das propostas não tenham sido divulgados.
Energia e indústria aeronáutica também em debate
Durante as conversas, representantes norte-americanos também destacaram o interesse em ampliar as exportações de produtos energéticos e industriais para a China. Entre os itens citados estão carvão, petróleo, gás natural e aeronaves comerciais produzidas pela Boeing.
Novas rodadas técnicas de negociação estavam previstas para ocorrer na segunda-feira, com o objetivo de aprofundar as discussões e preparar propostas que poderão ser avaliadas diretamente pelos líderes dos dois países nas próximas semanas.
Referência: Reuters




















