Pesquisa indica que alguns sorotipos vêm das matrizes, enquanto outros permanecem no ambiente das granjas
Estudo aponta diferentes origens da Salmonella em frangos de corte

Um estudo publicado na revista Frontiers in Veterinary Sciences mostra que diferentes sorotipos de Salmonella chegam aos lotes de frangos de corte por caminhos distintos, o que pode impactar diretamente as estratégias de controle adotadas pela avicultura.
A pesquisa foi conduzida por Nikki Shariat, professora associada do Centro de Pesquisa em Diagnóstico Avícola da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Geórgia, e pelo doutorando David Ayala-Velastegui. O trabalho utilizou uma técnica de tipagem sorológica de alta resolução para identificar como as cepas circulam ao longo da cadeia produtiva.
Os pesquisadores acompanharam a presença da bactéria desde os lotes de matrizes até incubatórios e galpões de criação, em seis complexos localizados em quatro estados do sudeste dos Estados Unidos. Ao todo, foram analisadas 368 amostras ambientais.
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Os resultados mostraram que cerca de um quarto dos galpões já apresentava Salmonella antes mesmo da chegada dos pintinhos. No sétimo dia de vida, todos os galpões estavam contaminados. Nesse momento, também foi observada maior diversidade de sorotipos em comparação com as etapas anteriores.
“Após sete dias, há sorotipos que podem vir dos criadores, mas também aqueles já presentes no galpão, criando um efeito cumulativo”, afirmou Ayala-Velastegui. Já Nikki Shariat destacou que o estudo poderia ter avançado para avaliar se esses sorotipos persistem até o abate.
A análise teve foco especial em três sorotipos de maior relevância para a saúde pública: Typhimurium, Infantis e Enteritidis. Estudos anteriores da mesma pesquisadora indicam que esses três tipos representam 42% das carcaças positivas e 48% das partes analisadas, apesar de sua baixa incidência nos lotes de matrizes.
O estudo utilizou a tecnologia CRISPR-SeroSeq, capaz de identificar múltiplos sorotipos em uma única amostra. A ferramenta revelou diferenças importantes nas vias de transmissão. Os sorotipos Kentucky e Enteritidis apresentaram um padrão associado à cadeia produtiva, sendo identificados em matrizes e incubatórios antes de chegarem aos frangos de corte, o que sugere transmissão vertical ou contaminação via casca do ovo.
Já o sorotipo Infantis apresentou comportamento distinto. Ele foi detectado no ambiente dos galpões antes da chegada dos pintinhos e voltou a ser identificado no sétimo dia, sem ligação com matrizes ou incubatórios. Segundo os pesquisadores, isso indica que sua principal fonte está na persistência dentro das granjas, possivelmente a partir de lotes anteriores.
“É evidente que a Infantis persiste de alguma forma na granja. Isso levanta questionamentos sobre fatores como manejo da cama ou uso de aditivos”, afirmou Shariat.
Os resultados trazem implicações práticas para o controle da Salmonella, especialmente ao indicar que estratégias mais direcionadas podem ser necessárias. No caso do sorotipo Infantis, os dados sugerem que práticas como limpeza dos galpões e manejo da cama podem influenciar diretamente na permanência da bactéria entre os lotes, tema que deve orientar as próximas etapas da pesquisa.
Fonte: Wattagnet























