Levantamento aponta mais de 4,8 mil propriedades e identifica espaço para expansão do uso de biodigestores no Estado
Suinocultura do RS tem potencial para ampliar biogás e reduzir até 255 mil toneladas de CO₂

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Embrapa e o Instituto 17, apresentou dados atualizados sobre o manejo de dejetos na suinocultura do Rio Grande do Sul, com foco nas emissões de metano e no potencial de geração de biogás. As informações foram discutidas em encontro realizado nesta terça-feira (19/5), na sede da Emater/RS-Ascar, reunindo representantes do setor público, pesquisadores e lideranças da produção animal.
O levantamento, iniciado em 2025 e conduzido pelo Instituto 17, utilizou dados da Declaração Anual de Rebanho da Seapi e abrangeu mais de 4,8 mil estabelecimentos em 288 municípios gaúchos. O estudo busca subsidiar o monitoramento e o aprimoramento das metas do Plano ABC+ RS, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.
Entre os principais resultados, foram identificados 29 estabelecimentos que já operam com biodigestores no Estado. Juntos, eles tratam 523,6 mil metros cúbicos de dejetos suínos por ano e evitam a emissão de 17,6 mil toneladas de CO₂, segundo o coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante.
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“Os resultados apresentados reforçam o potencial da suinocultura gaúcha na agenda climática. O estudo identificou 29 estabelecimentos que já operam com biodigestores no Rio Grande do Sul. Juntos, tratam 523,6 mil m³ de dejetos suínos por ano e evitam a emissão de 17,6 mil toneladas de CO₂”, afirmou.
O estudo também mapeou 254 propriedades com escala produtiva suficiente para viabilizar a implantação de biodigestores individuais. Caso adotados, esses sistemas podem evitar a emissão adicional de mais 255 mil toneladas de CO₂ por ano. “Os números mostram que avançamos, mas ainda há espaço significativo para ampliar a adoção da tecnologia no Estado”, acrescentou.
Durante o encontro, também foram apresentados casos práticos de aproveitamento de dejetos para geração de energia e discutidos encaminhamentos para ampliar iniciativas sustentáveis no setor. O representante do Mapa, Cléber Araújo, destacou a importância dos dados para o planejamento de políticas públicas voltadas à mitigação das emissões.
“Esse reforço da parceria visa fornecer informações inéditas que fortalecerão o monitoramento do Plano ABC+. Acreditamos que esses dados são valiosos e contribuirão para consolidar o acompanhamento do projeto no âmbito nacional”, disse.
A coordenadora técnica do projeto pelo Instituto 17, Deisi Tapparo, explicou que a base de dados permitiu estimar o volume de dejetos gerados no Estado, mapear os sistemas de manejo e calcular as emissões associadas. Segundo ela, as informações também ajudam a identificar oportunidades de expansão do biogás e de melhorias no manejo de resíduos, além de apoiar análises sobre impactos em bacias hidrográficas.
Bioenergia
De acordo com a pesquisadora, o estudo oferece subsídios técnicos para orientar ações de incentivo à bioenergia e à adoção de práticas mais sustentáveis na suinocultura gaúcha, com potencial de contribuir para o desenvolvimento regional e para a redução das emissões no campo.
Fonte: Seapi























