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Pesquisa Russa aponta que tecnologia com radiação pode ampliar validade da ração e abrir caminho para avicultura no Ártico

Proposta de cientistas russos busca viabilizar produção de frangos em regiões extremas do norte

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Pesquisa Russa aponta que tecnologia com radiação pode ampliar validade da ração e abrir caminho para avicultura no Ártico

Um grupo de cientistas russos, incluindo pesquisadores do Instituto de Física Nuclear, propôs o uso de radiação para ampliar a vida útil da ração por pelo menos um ano. A tecnologia pode permitir que empresas avícolas do país avancem sobre regiões árticas, onde o permafrost impede o cultivo de forragem.

A proposta se baseia na chamada pasteurização eletrônica, ou pasteurização a frio, um método de conservação não térmica que utiliza feixes de elétrons de alta energia para inativar microrganismos como bactérias, fungos e parasitas. O processo consiste em direcionar elétrons acelerados, gerados por um acelerador de partículas, sobre o produto enquanto ele passa por uma câmara de irradiação controlada.

Na prática, esses elétrons penetram no material e danificam o DNA dos microrganismos. Como não permanecem no produto e não induzem radioatividade nos níveis de energia utilizados, a ração tratada não se torna radioativa.

Com a tecnologia, os pesquisadores pretendem resolver um entrave histórico à produção no extremo norte. Segundo Alexander Bryazgin, chefe de um laboratório da filial siberiana da Academia Russa de Ciências, o objetivo é prolongar a validade da ração para permitir seu transporte a regiões remotas do Ártico e viabilizar a criação de aves nesses locais.

Atualmente, o abastecimento dessas áreas ocorre apenas durante um curto período no verão. No restante do ano, as granjas instaladas em regiões de permafrost dependem de estoques armazenados, o que limita o desenvolvimento da atividade. “No momento, a produção de aves é inviável porque a ração tem prazo de validade curto e o fornecimento ao norte se restringe ao verão, obrigando a importação de aves congeladas”, afirmou Bryazgin.

De acordo com os pesquisadores, a pasteurização por elétrons, com energias de até 10 MeV, permite aumentar a durabilidade da ração sem deixar resíduos de radiação. Bryazgin destacou ainda que não há barreiras legais na Rússia para o uso da irradiação com esse fim, embora a expansão da tecnologia dependa do interesse do setor produtivo e de ajustes regulatórios.

A proposta não é inédita no país. Iniciativas anteriores já sugeriram o uso de radiação em baixa dose para prolongar a conservação de produtos agrícolas, incluindo projetos ligados à corporação nuclear Rosatom. Ainda assim, a adoção da irradiação, tanto por elétrons quanto por outros métodos, segue limitada na agricultura e na indústria de alimentos em diversos mercados, inclusive na Rússia, principalmente devido a preocupações com segurança.

Fonte: Poultry World
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