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Dejetos são os novos fertilizantes orgânicos da suinocultura brasileira, por Dilceu Sperafico

Produção de fertilizante a partir de resíduos suínos fortalece a sustentabilidade, reduz a dependência externa e amplia a renda no campo, destaca o deputado Dilceu Sperafico

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Dejetos são os novos fertilizantes orgânicos da suinocultura brasileira, por Dilceu Sperafico
Como sempre disseram os tradicionais criadores de porcos, especialmente do Sul do País, a suinocultura é e sempre foi atividade de produção diversificada, atendendo preferências da alimentação humana e necessidades de outros setores da agropecuária, com a oferta de gás natural e fertilizantes orgânicos para lavouras, pomares e hortas. Prova disso é que estercos de porcos já estão substituindo adubos importados em plantações de diversas regiões do País. Para isso, pesquisadores da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de Seropédica, no Estado Rio de Janeiro, já aprovaram o uso da estruvita, obtida de dejetos suínos, como alternativa sustentável aos adubos fosfatados importados. A inovação promove a economia circular, reduz a dependência externa e diminui o impacto ambiental da suinocultura nacional. A estruvita é mineral branco composto por fósforo, nitrogênio e magnésio, obtido através de processo químico de precipitação a partir dos resíduos líquidos ou dejetos da criação de porcos. Assim, em vez de permitir que esses resíduos se tornem poluidores ambientais, eles são transformados em fertilizantes de alto valor para a agricultura e a produção de alimentos.

 

Na alimentação humana, os suínos oferecem carne, toucinho, banha, torresmo, mortadela, salsicha, salame, linguiça, morcilha e presunto, entre outros. Para agricultura, entre as vantagens do fertilizante produzido a partir dos estercos suínos, está o fato de como produto diferente de adubos convencionais, que se dissolvem rápido e acabam retidos na terra, a estruvita é adubo de liberação lenta. Isso é ótimo para os solos do País, que são naturalmente ácidos. Essa diferença permite que a planta aproveite melhor os nutrientes ao longo do tempo, mantendo a produtividade em níveis equivalentes aos dos produtos importados. Além disso, a descoberta ajuda na soberania do País, que atualmente importa cerca de 70% dos adubos químicos à base de fósforo que utiliza, dependendo muito de países como a China. Como as reservas minerais de fósforo são finitas e os preços oscilam conforme crises internacionais, produzir o próprio adubo a partir de resíduos animais garante mais autonomia e segurança para o agronegócio e a estabilidade da economia do País.

Além disso, o fertilizante orgânico oferece muitos benefícios ambientais diretos para o solo e a produção das propriedades rurais, assegurando maiores rendimentos aos agricultores. Como a produção intensiva de porcos gera grande volume de efluentes, que podem contaminar rios e lençóis freáticos se usados de forma não inadequada, aproveitar os resíduos da suinocultura é altamente compensatório. Ao retirar o fósforo e o nitrogênio para criar a estruvita, a carga poluidora dos resíduos suínos diminui drasticamente. Isso permite que as granjas suinícolas protejam os recursos hídricos das propriedades e comunidades rurais, além de ampliarem sua produção com segurança ambiental. A tecnologia pode ainda gerar mais lucros para o criador de suínos, na medida em que transforma lixo em produto comercializável. A Embrapa estima que propriedades com mais de cinco mil suínos podem gerar faturamento extra ao vender a estruvita. Se adotada em larga escala, a técnica pode gerar cerca de 340 mil toneladas do fertilizante por ano no Brasil, gerando nova fonte de rendas nas propriedades rurais de diversas regiões do País.

Dilceu Sperafico é Deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

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