Estudo coordenado pelo governo alemão mostra que combinação genética preserva a biodiversidade, mantém alta postura e melhora a resposta imunológica das aves
Cruzamento entre raças antigas e híbridos modernos abre caminho para avicultura mais robusta

Uma pesquisa inovadora liderada pelo Departamento Federal Alemão de Agricultura e Alimentação (BLE) revelou que o cruzamento de raças antigas e nativas de galinhas com linhagens comerciais modernas oferece um grande potencial para o futuro da avicultura. A estratégia genética surge como alternativa para sistemas de corte e postura, mostrando-se vantajosa tanto para a agricultura orgânica quanto para a convencional, além de atuar diretamente na preservação da biodiversidade de aves ameaçadas de extinção.
Diante de exigências globais cada vez mais severas por bem-estar animal e sustentabilidade, cientistas alemães testaram o cruzamento de raças tradicionais consagradas, como Ramelsloher e Bielefeld Kennhuhn, com linhagens híbridas de alta performance. O objetivo foi avaliar os impactos na produtividade, saúde, robustez e comportamento das aves.
Alta postura e eficiência com rações de menor energia
Os resultados laboratoriais e de campo trouxeram excelentes notícias para a viabilidade comercial do projeto. As aves mestiças (resultado do cruzamento) obtiveram pontuações elevadas na produção de ovos, mantendo um equilíbrio de cálcio adequado na formação das cascas.
Leia também no Agrimídia:
Um dos pontos altos do estudo foi a eficiência alimentar: as linhagens mestiças conseguiram aproveitar de forma eficiente rações regionais de menor densidade energética.
“As pesquisas sob condições experimentais e práticas demonstraram que os animais mestiços se adaptam bem a alimentos alternativos. Para isso, foi crucial ajustar o manejo nutricional à genética e ao modelo de criação, surgindo inclusive indícios de que esses animais possuem maior tolerância natural à infestação por parasitas”, destacou o relatório oficial da BLE.
Os pesquisadores fizeram apenas um alerta sobre o manejo físico: os mestiços apresentaram um risco ligeiramente maior de fraturas no esterno (osso do peito), um fator que os cientistas associam a variáveis externas ajustáveis, como o início precoce da postura, nutrição mineral e o tipo de instalações na granja.
Imunidade superior e proteção sanitária
No quesito saúde e sanidade, os animais mestiços superaram os índices das linhagens puras comerciais em diversos testes de bem-estar.
O grande diferencial, contudo, apareceu na competência imunológica. Ao testar a resposta das aves à vacinação contra a doença de Newcastle — uma das principais ameaças globais à avicultura —, o sangue das raças nativas mais antigas e de seus descendentes cruzados demonstrou uma produção de anticorpos e uma resposta de defesa biologicamente superiores, entregando uma ave muito mais resistente a desafios sanitários de campo.
Fonte: Poultry World, com edição Agrimídia























