Retração vendedora e valorização do cereal no mercado internacional anulam a pressão de oferta da safrinha no Brasil
Grãos
Preços do milho sobem 5,8% em agosto mesmo com safra recorde
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Mesmo diante da reta final da colheita da segunda safra e de projeções de produção recorde no país, o mercado brasileiro de milho encerrou agosto em forte alta. A combinação entre a postura cautelosa dos produtores — que retêm lotes à espera de cotações superiores — e o aquecimento do mercado externo manteve os preços sustentados, forçando compradores a cederem nas negociações para garantir o abastecimento de curto prazo.
Esta semana (31/08): Indicador acumula alta de 5,8% e mercado opera travado
O fato da semana: O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (praça de Campinas/SP) registrou avanço de 5,8% na parcial de agosto (até o dia 27), demonstrando a atipicidade de um ciclo de valorização em pleno período de pico de oferta.
- Estratégia de retenção: Vendedores seguem limitando a oferta no mercado físico, atentos às oportunidades mais vantajosas geradas pelas altas do cereal no exterior.
- Dilema dos compradores: Diante dos valores elevados pedidos pelas granjas e indústrias vendedoras, parte dos compradores cedeu e pagou mais caro por necessidade imediata de lote, enquanto outro grupo preferiu consumir seus próprios estoques.
- Negócios pontuais: A disputa de braço de ferro entre pontas compradora e vendedora mantém o volume de transações restrito a lotes de necessidade imediata.
Semana anterior (24/08): Impulso externo e retração vendedora generalizada
Na semana anterior, o levantamento do Cepea já indicava os fatores internacionais que sustentavam a postura firme do setor produtivo:
- Gargalos globais: A expectativa de queda na produtividade das lavouras nos Estados Unidos, aliada a estimativas desfavoráveis para a safra da União Europeia e às tensões no Mar Negro, elevou as cotações em Chicago.
- Fechamento de vendas: Produtores brasileiros reduziram drasticamente o interesse de venda no mercado disponível (spot), nos contratos futuros e nas posições para exportação.
- Busca por recomposição: Diante de estoques baixos e incertezas climáticas para os meses seguintes, compradores viram-se obrigados a elevar as propostas para conseguir fechar negócios.
Comparativo direto: A escalada do milho no mercado interno
| Frente de Análise | Semana Anterior (24/08) | Esta Semana (31/08) — Destaque |
| Indicador Cepea (Campinas/SP) | Trajetória contínua de valorização | Alta de 5,8% acumulada no mês (até 27/08) |
| Comportamento do Produtor | Retração no spot, futuro e exportação | Manutenção das vendas cadenciadas à espera de mais altas |
| Estratégia dos Compradores | Elevação de ofertas para recompor estoques | Divisão entre pagar a pedida do vendedor ou usar estoques |
| Vetor Internacional | Quebra de safra nos EUA/UE e conflito no Mar Negro | Cotações externas altas ancorando a firmeza dos preços locais |
O comportamento do mercado de milho ao longo de agosto confirma que o apetite internacional e a capacidade de estocagem dos produtores prevaleceram sobre a pressão sazonal da colheita da safrinha. Com os consumidores internos operando com estoques ajustados e o cenário global propenso a novos apertos de oferta, as cotações do cereal iniciam o mês de setembro com forte suporte fundamental.
Da Redação, com informações do Cepea























