No Dia do Avicultor, celebrado hoje, números mostram a força de uma cadeia que combina produção em larga escala, consumo interno elevado, geração de empregos e liderança nas exportações
Avicultura brasileira bate recordes e reforça papel estratégico no abastecimento mundial

Poucas cadeias do agronegócio brasileiro conseguem reunir, ao mesmo tempo, escala de produção, presença internacional e forte participação no prato dos brasileiros como a avicultura. O setor encerrou 2025 com recordes de produção, exportação e abate e chega ao Dia do Avicultor, celebrado nesta sexta-feira (28), mantendo o Brasil na liderança mundial das exportações de carne de frango e entre os maiores produtores do planeta.
De acordo com o Relatório Anual 2026 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção brasileira de carne de frango alcançou 15,289 milhões de toneladas em 2025, enquanto as exportações somaram 5,324 milhões de toneladas, com receita de aproximadamente US$ 9,8 bilhões. O resultado garantiu ao País a posição de maior exportador mundial e terceiro maior produtor de carne de frango.
O mercado doméstico também tem papel decisivo nesse desempenho. Em 2025, o consumo chegou a 46,7 quilos de carne de frango por habitante, mostrando que a proteína produzida no campo brasileiro abastece tanto o mercado externo quanto milhões de famílias dentro do próprio País.
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Bilhões de aves e uma cadeia de grande escala
A dimensão da atividade fica ainda mais evidente nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, foram abatidas 6,69 bilhões de cabeças de frango, alta de 3,1% em relação ao ano anterior e novo recorde da série histórica iniciada em 1997. O peso das carcaças também atingiu o maior patamar já registrado: 14,29 milhões de toneladas, crescimento de 4,2% sobre 2024.
O crescimento ocorreu em grande parte do território nacional. O Paraná manteve a liderança no abate, com 34,4% de participação nacional, seguido por Santa Catarina, com 13,7%; Rio Grande do Sul, com 11,4%; e São Paulo, com 11,3%. Em relação a 2024, o aumento do abate foi registrado em 23 das 26 unidades da Federação participantes da pesquisa.
Os dados ajudam a dimensionar uma cadeia que começa nas granjas e se estende por uma extensa rede de atividades, como produção de ração, genética, incubatórios, transporte, processamento, armazenagem e distribuição. Somente as agroindústrias do setor respondem por cerca de 350 mil empregos diretos, segundo a ABPA. Considerando toda a cadeia, são milhões de postos de trabalho diretos e indiretos espalhados pelo País.
Do campo para mais de 150 mercados
A força da avicultura brasileira também está na capacidade de atender diferentes mercados. A carne de frango produzida no País chega a mais de 150 países, resultado de uma cadeia estruturada para trabalhar com escala, regularidade de fornecimento, competitividade e exigências sanitárias internacionais.
Em 2025, as exportações estabeleceram novo recorde, com crescimento de 0,6% em volume sobre o ano anterior. Apesar de a receita ter recuado 1,4%, para US$ 9,790 bilhões, o volume exportado foi o maior da história.
E o desempenho de 2026 reforça a capacidade de recuperação e expansão da cadeia. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 3,455 milhões de toneladas de carne de frango, alta de 15,2% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 6,690 bilhões, crescimento de 19,3%. Apenas em julho, foram embarcadas 519,2 mil toneladas, alta de 29,9% sobre julho do ano passado.
O resultado ganha relevância porque ocorre após um período de forte impacto provocado pelo registro de influenza aviária de alta patogenicidade em 2025. Com a situação já superada, a cadeia voltou a ampliar sua presença nos mercados internacionais e demonstrou capacidade de resposta diante de um dos maiores desafios sanitários de sua história.
Primeiro semestre histórico
O ritmo dos embarques também fez de 2026 um ano particularmente importante para o setor. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de carne de frango atingiram o melhor resultado da história para o período, tanto em volume quanto em receita. Em junho, foram 482,8 mil toneladas exportadas, alta de 40,6% em relação ao mesmo mês de 2025, com receita de US$ 985,5 milhões.
Em maio, outro marco: pela primeira vez, a receita mensal das exportações de carne de frango ultrapassou US$ 1 bilhão, chegando a US$ 1,009 bilhão. O volume de 509,9 mil toneladas também foi recorde para o mês.
As projeções mais recentes da ABPA indicam que a produção brasileira de carne de frango poderá chegar a 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre 2025. As exportações, por sua vez, podem alcançar 5,875 milhões de toneladas, avanço de até 10,3%.
O ovo também ganha espaço
A força da avicultura não se limita à carne. A produção de ovos também vem estabelecendo sucessivos recordes e ampliando sua presença na alimentação brasileira.
Segundo o IBGE, foram produzidas 4,95 bilhões de dúzias de ovos em 2025, alta de 5,7% sobre 2024 e novo recorde pelo 28º ano consecutivo. São Paulo liderou a produção nacional, com 25,2% do total, seguido por Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo.
Pela metodologia da ABPA, que reúne os dados específicos da cadeia comercial, a produção chegou a 62,253 bilhões de unidades em 2025. O consumo também avançou: a estimativa da entidade é de 288 ovos por habitante no ano.
No comércio exterior, os ovos tiveram um desempenho particularmente expressivo. As exportações somaram 40.894 toneladas em 2025, mais que o dobro do volume de 2024, e geraram US$ 97,24 milhões, crescimento de 147,5% na receita.
Para 2026, a ABPA projeta produção de até 64,8 bilhões de ovos, crescimento de 4,1%, e consumo de 301 unidades por habitante.
Quem está por trás dos recordes
Por trás de bilhões de aves abatidas, milhões de toneladas produzidas e alimentos que chegam a diferentes continentes está o trabalho diário do avicultor. É nas granjas que começam processos que dependem de controle rigoroso de ambiente, alimentação, manejo, genética, sanidade e biosseguridade.
O produtor também ocupa posição estratégica diante de um dos principais desafios da avicultura moderna: manter a capacidade de produção e, ao mesmo tempo, preservar o status sanitário que permite ao Brasil acessar mercados cada vez mais exigentes.
A importância desse trabalho ficou evidente justamente nos momentos de maior pressão sobre o setor. A ocorrência de influenza aviária em 2025 provocou restrições temporárias em diferentes mercados e afetou a dinâmica interna da cadeia. A retomada das exportações e os resultados obtidos em 2026, porém, demonstram a capacidade de reação de uma atividade estruturada e tecnificada.
Neste 28 de agosto, portanto, os números ajudam a dimensionar o significado da data: celebrar o avicultor é reconhecer o trabalho de uma categoria que está na origem de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro. De pequenas e médias propriedades às grandes agroindústrias, o setor transforma trabalho, tecnologia e conhecimento em alimento para o Brasil e para o mundo.
E os recordes mostram que essa história ainda está em expansão.
Da Redação























