Abertura emergencial de 300 mil toneladas isentas de tarifa por 90 dias pode render embarques de até 120 mil toneladas para a indústria brasileira
Mercado
Brasil pode capturar até 40% de nova cota de carne bovina dos EUA
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A abertura de uma cota emergencial de 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifa pelos Estados Unidos pode garantir aos frigoríficos brasileiros o fornecimento de 90 mil a 120 mil toneladas nos próximos 90 dias. A medida do governo norte-americano busca conter a alta dos preços da carne moída e combater a inflação de alimentos no mercado consumidor dos EUA, que enfrenta a retração do seu rebanho bovino.
Panorama do Mercado de Carne Bovina Brasil–EUA e Nova Cota
| Indicador / Operação | Dado / Condição | Impacto para a Pecuária Brasileira |
| Nova Cota Emergencial (EUA) | 300.000 t (janela de 90 dias) sem tarifa | Potencial do Brasil capturar entre 30% e 40% do volume. |
| Cota Regular Anual | 52.400 t (compartilhada) | Esgotada em apenas 15 dias no início do ano. |
| Tarifa Extra Fora da Cota | Imposto adicional de 26,4% | Sobretaxa aplicada às vendas brasileiras fora de cotas isentas. |
| Exportações Brasil–EUA (Jan–Ago/26) | 269.100 t (US$ 1,74 bilhão) | Crescimento de +28,7% em volume frente a 2025. |
| Perfil do Produto Demandado | Trimmings (aparas para hambúrguer) | Menor valor agregado; exige cálculo rigoroso de margem das plantas. |
Destaques e Desafios Operacionais
- Vantagem competitiva do parque fabril: A escala da indústria nacional e a grande quantidade de plantas habilitadas para o mercado americano colocam o Brasil à frente de concorrentes diretos da nova cota, como Paraguai e países da América Central.
- Gargalo no rebanho norte-americano: O ciclo pecuário nos EUA reduziu a oferta interna de fêmeas e animais para abate. Como a recomposição do rebanho é lenta, o país recorre a importações de curto prazo para cobrir o desabastecimento doméstico.
- Avaliação de margens e preços: Por se tratar de trimmings (pedaços de carne de menor valor usados na produção de hambúrgueres), os frigoríficos brasileiros calculam se a cotação oferecida pelos EUA compensa o envio diante dos custos de frete e da opção de destinar o animal para outros parceiros internacionais.
Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, “o tamanho da indústria brasileira e o número de plantas credenciadas colocam o Brasil em posição extremamente favorável na disputa por essa cota. O grande desafio é o preço pago pelos americanos pelos trimmings, que precisa ser rentável para o frigorífico sem frustrar o objetivo dos EUA de reduzir o preço ao consumidor.”
Fonte: G1























