Combinação de oferta global desacelerada, estoques enxutos e risco de El Niño pode devolver poder de preço ao agricultor brasileiro
Grãos
Safra 2026/27 sinaliza virada de ciclo e recuperação de margens no campo
Compartilhar essa notícia

Apesar das dificuldades imediatas enfrentadas pelo produtor rural brasileiro — marcadas por crédito restrito, juros elevados e alto endividamento —, o ciclo agrícola caminha para uma mudança estrutural na safra 2026/27. Segundo análise do economista Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y (Ernst & Young), a desaceleração na expansão da oferta mundial, aliada a estoques globais enxutos e ao risco de um fenômeno El Niño severo, tende a sustentar a recuperação dos preços dos grãos e restabelecer a rentabilidade do setor.
Indicadores e Projeções de Ajuste para a Safra 2026/27
| Indicador de Mercado | Projeção / Cenário Atual | Impacto Operacional e de Mercado |
| Vendas de Fósforo | Queda de 20% a 25% | Corte no uso de fertilizantes para enxugar custos de produção. |
| Custo do Crédito | Taxas subiram de 3% para ~15% | Restrição bancária trava expansão e reduz investimentos em máquinas. |
| Estimativa de Quebra (E&Y) | Até -12 milhões de toneladas | Risco de perda na safra de soja por estresse climático de El Niño. |
| Postura dos Fundos (CBOT) | Virada para posição comprada | Investidores antecipam menor folga na relação oferta/demanda. |
Destaques e Análise do Novo Ciclo Agrícola
- Ajuste forçado pela escassez de crédito: A elevação dos juros reduziu drasticamente o poder de compra do agricultor. A contenção de despesas com insumos e tecnologia limitará os tetos de produtividade, estancando a forte expansão de oferta que o Brasil promoveu nos últimos três anos (adicional de 50 milhões de toneladas de soja e milho).
- Risco climático do El Niño: A modelagem meteorológica da E&Y aponta para um El Niño de forte intensidade, com padrão semelhante ao de 2015. O cenário projeta excesso de chuvas no Sul e períodos de estiagem no Matopiba e em áreas de safrinha, com potencial de perdas pontuais de até 60% na produtividade.
- Vulnerabilidade dos estoques globais: Trabalhando com taxas de juros elevadas, os compradores internacionais mantiveram estoques no limite mínimo nos últimos anos. Sem colchão de liquidez física, qualquer frustração isolada de colheita gerará reações imediatas e intensas nas cotações de Chicago.
- Efeito colateral nas proteínas animais: A revalorização projetada para os grãos tenderá a elevar o custo da ração, pressionando as margens das cadeias de aves, suínos e ovos nos meses subsequentes.
De acordo com Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y, “o produtor chega à safra 2026/27 descapitalizado, mas é justamente essa restrição financeira que reduz a expansão da oferta global. Com estoques mais baixos e consumo em alta, o mercado está virando: um choque climático que antes seria absorvido pela abundância agora provocará uma reação muito mais forte nos preços.”
Fonte: CNN























