Desbalanço entre custos e cotações, embargos por peste suína africana e novas exigências ambientais aceleram o fechamento em massa de propriedades no país
Internacional
Crise na suinocultura alemã gera prejuízo médio de € 55 por animal e reduz em 40% o número de granjas
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Os produtores de suínos na Alemanha enfrentam um cenário de severa crise estrutural, marcado pelo colapso das margens de lucro e pelo encerramento acelerado das atividades em todo o país. Segundo levantamento da Associação de Suinocultores Alemães (ISN), o preço pago pelo quilo da carcaça suína recuou para a faixa de € 1,45, enquanto o custo total estimado para cobrir a produção gira em torno de € 2,00. Na prática, a atividade acumula um prejuízo médio de € 55 por animal comercializado.
Os três pilares da crise no mercado alemão
A combinação de margens operacionais altamente negativas, fechamento de mercados compradores no exterior e redução do consumo interno levou a suinocultura alemã a um dos momentos mais críticos de sua história recente.
- Descompasso entre preços e custos: A manutenção de cotações pautadas em níveis historicamente baixos aliada aos custos operacionais elevados (com destaques para ração, energia e combustíveis) inviabilizou a rentabilidade das granjas.
- Barreiras sanitárias e embargos: O ressurgimento de focos de Peste Suína Africana (PSA) em estados como Brandemburgo e Saxônia, somado a um surto pontual de Febre Aftosa no início do ano, travou os embarques alemães para mercados estratégicos na Ásia, gerando sobreoferta de cortes no mercado doméstico.
- Exigências de bem-estar e mudança de hábitos: Regulamentações locais e europeias exigem aportes elevados de capital para a adaptação de instalações (como o fim das celas de parição convencionais), em um período de retração contínua no consumo interno de carne suína na Alemanha.
Transformação estrutural: A consolidação do setor no país
O impacto financeiro prolongado redesenhou a geografia da suinocultura alemã, acelerando o encerramento de pequenas e médias propriedades e elevando a concentração da atividade:
- Encolhimento da base produtiva: O total de fazendas ativas despencou de cerca de 24.500 propriedades (no cenário histórico até 2016) para apenas 14.550 fazendas em 2026, representando uma retração estrutural superior a 40% na quantidade de produtores.
- Aumento da escala por unidade: Com o fechamento das menores operações, a escala média por propriedade remanescente subiu para 1.432 suínos por fazenda, consolidando um perfil produtivo mais concentrado.
Diante do agravamento desse cenário, entidades representativas como a Associação Alemã de Agricultores (DBV) intensificaram as pressões sobre o governo federal e a União Europeia por pacotes de ajuda financeira emergencial e reformas no sistema de formação de preços do varejo. O setor alerta que a perda de capacidade produtiva local aumentará de forma irreversível a dependência da Alemanha em relação à importação de carne suína de outros países do bloco europeu.
Da Redação
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