Técnica com LEDs de 405 nm ainda será testada em carcaças de frango naturalmente contaminadas, em condições comerciais de processamento
Luz azul elimina 64 cepas de Campylobacter em estudo no Reino Unido

Pesquisadores da Universidade de Reading e da Agência de Saúde Animal e Vegetal (APHA) do governo britânico demonstraram que uma nova técnica de luz violeta-azul eliminou as 64 cepas de Campylobacter testadas. Os resultados foram publicados recentemente na revista Microbiology, em artigo intitulado “Uma luz para governar todas: inativação fotodinâmica de diversas bactérias Campylobacter”.
Em todo o mundo, a Campylobacter é hoje a principal causa de intoxicação alimentar bacteriana, o que amplia a perda de produtividade dos pacientes e eleva o custo do atendimento. As infecções provocam problemas digestivos e febre por vários dias e costumam estar associadas ao manuseio de frango cru contaminado. O cozimento completo elimina a bactéria. Nos Estados Unidos e em outros países, aplica-se água clorada nas carcaças para combatê-la, prática geralmente não permitida no Reino Unido e em outros países europeus.
Como funciona a técnica
Chamada de inativação fotodinâmica violeta-azul (VB-PDI), a técnica incide luz visível violeta-azul sobre as carcaças de frango. A luz ativa as células da bactéria, que passam a produzir espécies reativas de oxigênio, o que causa sua morte. Nos testes, a luz de 405 nm foi gerada por diodos emissores de luz (LEDs).
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Segundo os pesquisadores, a luz é segura, e o procedimento dispensa contato físico com o frango, o que elimina o risco de contaminação cruzada. A vigilância da APHA mostra as cepas que circulam nas aves do Reino Unido, e várias delas, e não apenas variantes de laboratório, foram usadas nos experimentos. De acordo com o pesquisador Samuel Connelly, da APHA, a eficácia foi demonstrada contra múltiplas espécies de Campylobacter e perfis de resistência.
“Embora seja necessária uma avaliação mais aprofundada utilizando amostras de carne contaminada, a simplicidade e a adaptabilidade desta tecnologia sugerem que ela poderia ser implementada em várias etapas do processo de produção de alimentos”, afirmou.
Os cientistas calcularam que, se a VB-PDI reduzisse a contaminação nas carcaças em 100 vezes, a parcela de carcaças comercializadas classificadas como altamente contaminadas poderia cair de cerca de 10% para 2%.
Para o autor Aidan Taylor, da Universidade de Reading, a presença generalizada da bactéria no sistema alimentar e a crescente resistência aos antibióticos fazem do controle da Campylobacter uma alta prioridade para a indústria. “O que é empolgante nessa abordagem baseada em luz é que ela não depende de produtos químicos ou antibióticos, contornando completamente o problema da resistência. Demonstramos que ela funciona contra uma ampla gama de cepas reais retiradas diretamente de aves do Reino Unido, incluindo as cepas multirresistentes que mais nos preocupam, e não encontramos nenhuma evidência de que a resistência possa evoluir”, disse.
Por usar LEDs simples, de baixo consumo de energia, longa vida útil e baixo custo operacional, a VB-PDI é vista pelos pesquisadores como opção econômica para todos os produtores avícolas. Eles afirmam ainda que a tecnologia pode ser aplicada em locais com infraestrutura limitada de segurança dos alimentos em países de baixa e média renda. A próxima fase de testes vai investigar os efeitos da técnica em carcaças de aves naturalmente contaminadas, em condições comerciais de processamento.
Infecções no Reino Unido
Mais de 69.000 casos confirmados de Campylobacter foram relatados na Inglaterra em 2025, segundo a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (HSA), o equivalente a cerca de 118 casos por 100.000 habitantes. Nenhum dos dois níveis difere significativamente dos 12 meses anteriores. A espécie foi identificada em aproximadamente 25% dos casos, e em 88% deles tratava-se de Campylobacter jejuni.
Foram notificados às autoridades sete surtos de doenças transmitidas por alimentos no ano, três deles possivelmente ligados ao consumo de frango ou de derivados. A HSA estima que a incidência de campilobacteriose na população seja nove vezes maior que a dos casos oficialmente confirmados.
Fonte: WATTPoultry.com
























