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One Health: caminho que devemos trilhar

O mundo vive um novo cenário sanitário o qual irá impor novas medidas e ações voltadas à saúde humana e animal, além de conservação do meio ambiente. O equilíbrio entre estas três faces – e mais do que isto, a efetiva inter-relação e comunicação entre elas – será fundamental no enfrentamento dos novos desafios que irão surgir na realidade pós-pandemia.
O conceito One Health, ou Saúde Única, não é novo. Há muito se conhece esta correlação entre agentes patogênicos oriundos dos animais com impacto na saúde das pessoas. O fato é que nas duas últimas décadas se vem pensando e trabalhando ações concretas para que as áreas de medicina humana, veterinária e ambiental atuem de forma coordenada, prevenindo emergências sanitárias.
A implantação do One Health exige a adoção de políticas públicas, por isto os governos têm de estar preparados. O tema é foco de uma colaboração tripartite entre OMS, OIE e FAO, as quais têm apoiado e orientado os países nas adoções de medidas formuladas dentro deste conceito. Um ponto central para a funcionalidade da Saúde Única está na comunicação à órgãos competentes de ocorrências e suspeitas sanitárias, com acesso a profissionais das áreas de saúde, de forma com que estas informações gerem conhecimento e massa crítica, assim como permitam antecipar a atuação em pontos específicos de riscos. O One Health exige um trabalho conjunto com profissionais de diferentes áreas, sendo claramente multidisciplinar.
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O One Health passará também a ser uma demanda a ser entendida e aplicada por toda a cadeia produtiva de proteína animal. Os consumidores do mercado doméstico e, principalmente, do internacional – o que envolve todos os importadores de carnes e outros produtos alimentícios – passarão a exigir um quesito básico naquele produto, que tem sido classificado como três “s”: saúde, sanidade e sustentabilidade. Sem isto, será cada vez mais difícil acessar os mercados, não só os mais exigentes, mas praticamente todos no contexto externo.
A preocupação com a segurança dos alimentos será elevada a altos níveis. Embora haja a clara necessidade de os países garantirem a segurança alimentar de suas populações, os governos atuaram de forma a minimizar qualquer risco de contaminação ou transmissão de patógenos via alimentar. O Brasil, como um dos grandes fornecedores mundiais de alimentos, precisa urgentemente assumir o protagonismo nesta discussão, atuando de forma clara nas decisões a serem tomadas, assim como estabelecer um diálogo e debate sério no cenário internacional. Principalmente, voltando a ter a Ciência como base para estas discussões.
Humberto Luis Marques
Editor Avicultura Industrial





















