Mesmo com prejuízo, Marfrig conseguiu atacar um dos pontos mais criticados pelo mercado: a dificuldade de gerar de caixa.
Resultado operacional da Marfrig anima mercado

Ainda que tenha amargado um prejuízo líquido de R$ 138,6 milhões no quarto trimestre de 2011, a Marfrig conseguiu atacar um dos pontos mais criticados pelo mercado: a dificuldade de gerar de caixa. Com isso, as ações da empresa saltaram 6,28% ontem, a principal alta entre os papéis do Índice Bovespa.
Pressionada por uma dívida líquida de quase R$ 8 bilhões, a companhia, que desde o ano passado trabalha numa reestruturação dos negócios baseada justamente na redução de custos e geração de caixa, registrou um fluxo de caixa positivo recorde de R$ 703,9 milhões no quarto trimestre de trimestre de 2011.
“O maior componente dessa geração positiva de fluxo de caixa foi a redução do capital de giro”, afirmou ontem, em teleconferência com analistas, o diretor de relações com investidores da Marfrig, Ricardo Florence. Segundo ele, a companhia ultrapassou a meta que era de reduzir em R$ 400 milhões o capital de giro ao longo do segundo semestre de 2011. “Diminuímos R$ 93 milhões no terceiro trimestre e mais R$ 348 milhões no quarto trimestre”, disse ele.
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O executivo explica que o melhor controle de capital de giro durante o período é resultado da redução de estoques, “típica da indústria como um todo no Brasil”, de maiores prazos em contas a pagar “principalmente de fornecedores globais”, e menores prazos em contas a receber. “Aliado a isso, os impostos a recuperar não cresceram”, disse ele, que mantém o controle do capital de giro como um dos principais objetivos da empresa neste ano.
A Marfrig também reduziu as despesas operacionais no último trimestre do ano passado. No caso das despesas administrativas e gerais, a queda foi de 17,2% sobre o quarto trimestre de 2010, enquanto que as despesas comerciais recuaram 10,4%.
“Parte dessa redução veio do fechamento temporário da capacidade ociosa que tínhamos de plantas no Brasil e parte da própria introdução de equipamentos de mecanização, principalmente para desossa nas plantas da Seara”, destacou Florence.
“Realmente, a melhora no fluxo de caixa foi o motivo que fez o papel subir”, disse o analista da corretora SLW, Cauê Pinheiro. O bom resultado operacional, contudo, deve ser visto com ressalvas, segundo Pinheiro. “Não acho que o papel deveria ter essa alta. O sinal amarelo ainda está aceso, com uma dívida muito alta”, ponderou, citando a alavancagem da Marfrig, que atingiu 4,39 vezes no fim de 2011. Por ora, o analista recomenda a manutenção dos papéis à espera dos próximos resultados da empresa.





















