Na avaliação de Salomão Quadros, da FGV, desempenho dos preços entre outubro e novembro não indica alta inflácionária nos próximos meses.
Soja, minério e milho ajudaram a encerrar ciclo de deflação do IGP-DI

Quedas menores nos preços de soja em grão (de -8,09% para -2,17%) e do minério de ferro (de -6,14% para -2,25%) no atacado, aliadas ao fim do recuo de preços em milho em grão (de -1,63% para 6,36%), também no setor atacadista, conduziram ao término da deflação no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que saiu de queda de 0,31% para avanço de 0,25% entre outubro e novembro. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Salomão Quadros.
Quadros explicou que a cotação da soja em grão teve queda intensa no mês passado influenciada pela boa perspectiva da safra do produto nos Estados Unidos, de acordo com o departamento de agricultura do país. Nos primeiros meses do ano o preço da soja teve aumentos sucessivos, devido a perdas de produção no Brasil e nos EUA – os dois maiores produtores mundiais – que reduziram a oferta e puxaram para cima a inflação do item. Mas com a regularização da oferta o preço da soja voltou a cair no atacado.
Como o produto é o item agropecuário de maior peso na formação da inflação atacadista (que representa 60% do total dos Índices Gerais de Preços – IGPs), isso acabou por influenciar de forma expressiva os resultado desses indicadores, avaliou o especialista.
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No caso do minério de ferro o produto mostrou quedas de preço devido à menor demanda internacional, influenciada pelo desaquecimento da economia global. Mas agora o preço do item começa a ser ajustado novamente, avaliou Quadros. Já no caso do milho em grão a exportação do produto brasileiro levou a um recuo na oferta doméstica, o que elevou o preço no mercado interno.
O especialista afirmou que o fim da deflação no IGP-DI não sinaliza explosões inflacionárias para os próximos meses. “Nem tudo no atacado está subindo de preço, ou com queda menos intensa”, ressaltou, avaliando que as oscilações mais bruscas, que conduziram à virada na trajetória do IGP-DI, ficaram mais concentradas em soja, minério e milho.
No início de 2013 os IGPs devem ficar menos pressionados. Com a menor oferta de soja em 2012, e o consequente aumento dos preços do grão, os produtores investiram mais na safra que será colhida no ano que vem. A melhor disponibilidade deve reduzir o preço do grão, o que ajuda a diminuir a inflação apurada pelos IGPs, analisou Quadros





















