Investimentos em precisão podem fazer a diferença dentro de uma propriedade agrícola. Conheça experiência no Paraná.
Agricultura de precisão em foco
Nos últimos sete anos, a família do engenheiro agrônomo Cássio Kossatz cortou o uso de calcário em 20%, o de fósforo em 40% e o de potássio em 35% na produção de grãos. Também foram reduzidas as diferenças de produção por área e a sobreposição na aplicação de agrotóxicos. Adepta da agricultura de precisão, a família é fã de tecnologia e acredita que esse é um caminho sem volta no campo. Assim, pretende elevar os investimentos nos cerca de 2,7 mil hectares mantidos pela Kossatz Agricultura em três propriedades na região dos Campos Gerais, no Paraná.
O perfil de Cássio Kossatz destoa da maioria dos agricultores. Com 25 anos, ele usa tablet e smartphone quando visita as propriedades e passou um ano nos EUA, fazendo estágio em uma fazenda e estudando economia agrícola na universidade de Ohio. Mas ressalta que o trabalho começou com o pai, Celso, de 56 anos, que em 2004 contratou uma empresa de consultoria agrícola e passou a fazer amostragem da terra de 2 em 2 hectares. Antes, era tirada uma média por talhão, com amostras para cada 30 a 50 hectares.
“Passamos a conhecer melhor nossa terra”, diz Cássio, que colheu uma média de 3,8 mil quilos por hectare de soja e 11,5 mil quilos por hectare de milho na safra de verão. “A racionalização do uso do adubo é a principal vantagem”, explica, sobre os investimentos de cerca de R$ 400 mil que já fez em equipamentos.
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Com um programa de computador, ele agrupou as informações das terras obtidas em laboratório, gerou mapas e começou a tomar decisões com base no que via no papel – o solo e suas qualidades ou deficiências, tudo demarcado por GPS -, formando um banco de dados. Depois, comprou um equipamento para aplicação em taxa variável, que foi acoplado à adubadora. “Eu programo o que quero, que pode ser um plano anual ou de longo prazo”, acrescenta.
A percepção de que passaria a usar menos adubo foi imediata. Como o insumo representa cerca de 40% dos custos, gerou uma economia que ajudou a pagar os investimentos feitos. Há cinco anos, a família comprou uma área no município de Tibagi, com terra argilosa, que hoje é uma das mais produtivas da região. “Cada dia estamos melhorando”, conta o agrônomo, dentro da cabine de um trator com piloto automático e monitor que orienta o percurso do plantio e monitora a aplicação de defensivos e a taxa variável de líquidos e sólidos.
Desde 2007, os Kossatz têm também monitores de colheita, que identificam o rendimento em cada ponto. Naquele ano, a colheita de milho teve variação de 2 mil quilos por hectare a 18 mil quilos por hectare. “A previsão é que a diferença caia e haja homogeneização”. Os dados obtidos no campo são levados ao computador e analisados para a busca da precisão.
Antes, havia uma sobrecarga de uso de agrotóxico de 10%, por exemplo, e a porcentagem caiu para 4%. O próximo passo, adianta, é reduzir o erro do GPS, que estava em 20 centímetros e pode cair para 2, o que vai resultar em melhor uso também de máquinas. Com os dados das propriedades, a família percebeu que poderia reduzir o número de colheitadeiras de quatro para três. “Economizei uma colheitadeira”, afirma o agrônomo.
De olho no bom rendimento da safra, a indústria de equipamentos para agricultura de precisão prepara-se para difundir suas vantagens. Mariana Camargo, que atua na área de pós-vendas da Case IH, explica que houve evolução nos últimos anos e, se os primeiros equipamentos tinham problema com sinal do GPS, agora já existem mais satélites e a qualidade melhorou.
Também havia dificuldade com o idioma, que deixou de ser apenas em inglês e ou em português de Portugal. “Queremos no mínimo dobrar as vendas de equipamentos de precisão”, afirma. Mariana não revela números, mas acrescenta que há opções no mercado para pequenos, médios e grandes agricultores.





















