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Maior demanda pelo milho paranaense

Fábrica de amido e adoçantes da Cargill, a ser instalada em Castro, no Paraná, vai consumir 300 mil toneladas de grãos por ano.

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Maior demanda pelo milho paranaense

Um novo e forte cliente deve alterar o perfil do consumo do milho plantado em solo paranaense. A multinacional norte-americana Cargill vai iniciar a produção da fábrica de amido e adoçante no segundo semestre de 2013 no complexo industrial de Castro, nos Campos Gerais. Logo no começo da operação, a unidade vai consumir uma média de 800 toneladas do grão por dia. A capacidade instalada é para processar 3,2 mil toneladas diárias de milho. Como hoje 70% do milho paranaense são destinados à ração animal, a entrada em operação da multinacional promete mudanças no setor produtivo, com reflexos inclusive na soja, e no preço da commodity.

Um dos argumentos do presidente da Cargill no Brasil, Marcelo Martins, para a escolha pelo Para­­ná, e num segundo momento por Castro, que bateu cidades como Ponta Grossa e Londrina, é a oferta de grãos. O Paraná produziu ano passado, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 13,6 milhões de toneladas de milho, ou seja, em torno de 24% da produção nacional. Foram 6,78 milhões de toneladas na primeira safra e 6,82 milhões na safrinha.

Como a região dos Campos Gerais produz essencialmente na safra de verão, devido aos riscos da cultura com a probabilidade de geadas, a demanda gerada pela Cargill pode alterar o perfil da produção. “A área existente na região tem condição de avançar em 50% na produção de milho e isso pode ser alcançado com a rotatividade nas áreas de soja. Não seria a substituição da soja pelo milho, mas a maior rotatividade, e eu vejo isso como positivo”, comenta o presidente da cooperativa Castrolanda, Frans Borg.

O preço do produto também deve ter reflexos. “A Cargill vai ampliar o leque para o produtor e o milho vai ser mais disputado, o que deve mexer no preço; ele pode dobrar de valor. Com certeza, isso vai refletir no preço internacional do milho, não só aqui”, aposta o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara. “Num primeiro momento, a produção deverá ser pequena para atender a demanda da fábrica e, assim, o preço vai reagir, mas tudo vai depender da demanda”, acredita Borg.

Martins esclarece que a preferência será pelo milho paranaense. “Por questão de logística, va­­mos privilegiar os produtores da região, mas nossas relações em longo prazo podem se estreitar com outros produtores, é uma tendência natural”, afirma. A região de Castro tem 450 produtores de grãos, incluindo o milho.

A unidade, que terá sua construção iniciada em janeiro de 2012, vai produzir ingredientes à base de milho para atender à indústria alimentícia, na produção de produtos lácteos, balas, confeitos e pães, ao setor químico, como na indústria de papel e na nutrição animal.

Para o diretor do segmento de amido e adoçante da Cargill na América Latina, Gonzalo Petschen, a produção está focada no mercado interno do ramo alimentício, mas a unidade também aposta no consumidor internacional. Nesse sentido, o secretário estadual de Fazenda, Luiz Carlos Hauly, vislumbra o potencial do estado. “O Paraná precisa agregar valor ao seu produto primário e a instalação da Cargill é o primeiro passo”, argumenta.

Cooperativas devem manter tradição de negociar produção – Os produtores de grãos dos Campos Gerais tradicionalmente vendem a colheita para as cooperativas. Elas é que negociam com os eventuais clientes. A vinda da unidade de processamento de milho da Cargill pode alterar essa relação.

“Tudo vai depender de como vai se comportar o mercado, mas nós vamos manter nosso programa de fidelização”, adianta o presidente da cooperativa Cas­­tro­landa, Frans Borg. Ele afirma que não sabe como irá se comportar a Cargill no que se refere à secagem do grão. “O milho exige um processo de secagem muito criterioso. Ele vem da lavoura com 30% de umidade e os clientes exigem níveis de até 13%. Não sabemos se a Cargill terá um sistema próprio de secagem”, completou. A diretoria não se manifestou com relação ao formato de compra, mas o diretor Marcelo Mar­­­tins confirmou que pretende trabalhar em parceria com o setor produtivo da região.

O vice-presidente da cooperativa Batavo, Gaspar João de Geus, vê a inserção da empresa no município de Castro como um cliente a mais para o milho. “A cooperativa financia a produção e os produtores têm um compromisso conosco”, afirma, lembrando que a cooperativa mantém mecanismos de rastreamento de toda a produção dos 600 produtores de milho cooperados.

O secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, acrescenta que a partir da safra de 2012 o governo estadual pretende fomentar a produção de milho com a subvenção que irá ocasionar o barateamento do seguro.

Para o presidente da Asso­ciação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, a relação entre cooperados e a Cargill, e até mesmo o comportamento do preço do grão, vai depender do mercado. Ele destaca, no entanto, a valorização do milho perante a instalação da fábrica no Paraná. “Eles vão processar milho em grande quantidade e em alto nível de tecnologia, isso vai valorizar o nosso milho”, apontou.

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