Governo amplia volume total de recursos para R$ 610,3 bilhões e reduz taxas de juros em até 1,5 ponto percentual, mas juros reais elevados e redução no orçamento do Prodecoop exigem planejamento das entidades
Plano Safra 2026/2027: O que muda no crédito rural e no financiamento das cooperativas

A publicação da análise de mercado do Sistema OCB (Edição 40) detalha as diretrizes e regras operacionais do Plano Safra 2026/2027. A nova safra apresenta uma expansão modesta no volume de recursos e queda generalizada nas taxas de juros, ao mesmo tempo em que traz desafios impostos pelo cenário de taxa Selic elevada e reajustes nas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O cooperativismo atua em duas frentes centrais na política de crédito rural: como tomador de recursos para comercialização, armazenagem e industrialização através das cooperativas agropecuárias; e como canal de distribuição, por meio das cooperativas de crédito que financiam os produtores associados.
Os grandes números da Safra 2026/2027
Somando a agricultura empresarial, a agricultura familiar e ferramentas externas integradas ao cálculo oficial (como CPRs direcionadas, Move Agricultura e EcoInvest), o orçamento total do crédito rural atinge R$ 610,3 bilhões, representando um crescimento de 2,68% em relação ao ciclo 2025/2026.
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| Categoria | Volume (2026/2027) | Variação vs. 25/26 |
| Agricultura Empresarial (MAPA) | R$ 525,1 bilhões | +1,7% |
| Agricultura Familiar (Pronaf/MDA) | R$ 97,3 bilhões | +9,0% |
| Total Geral | R$ 610,3 bilhões | +2,68% |
Custeio recua, mas investimento cresce
A distribuição por finalidade revela uma mudança na dinâmica do financiamento:
Investimento: Alcançou R$ 140,2 bilhões, um salto de 38,1%, impulsionado pela inclusão das linhas Move Agricultura e EcoInvest.
Custeio e Comercialização: Recuaram 7,2%, somando R$ 384,9 bilhões (ante R$ 414,7 bilhões no ciclo anterior).
Redução generalizada nas taxas de juros
As taxas de juros do Plano Safra registraram cortes de até 1,5 ponto percentual (p.p.) na comparação com o ano agrícola anterior:
Demais Produtores e Cooperativas (Custeio): Caiu de 14,0% para 12,5% ao ano.
Pronamp (Custeio e Investimento): Redução de 10,0% para 9,0% ao ano.
Prodecoop e Procap-Agro (Investimento): Juros reduzidos de 13,5% para 12,0% ao ano.
Descontos Sustentáveis: Produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular têm desconto de 0,5 p.p., e quem adota práticas sustentáveis recebe mais 0,5 p.p., permitindo uma redução de até 1,0 p.p. na taxa de custeio.
Impacto para as Cooperativas Agropecuárias
Mudanças operacionais favoráveis
Limites ampliados para cooperados: Na linha de Atendimento a Cooperados, o teto de custeio subiu de R$ 1 milhão para R$ 1,1 milhão por cooperado/ano. A comercialização aumentou de R$ 500 mil para R$ 550 mil.
Financiamento sustentável: O Prodecoop passou a permitir o financiamento de sistemas de energia solar, biomassa e eólica para consumo próprio, enquanto o Inovagro passou a cobrir sistemas de armazenamento de energia (baterias).
Procap-Agro: Ampliação dos limites de financiamento para cooperativas singulares, centrais e federações.
Alerta no volume de recursos
Apesar da queda nos juros, o volume total disponibilizado para o Prodecoop e o Procap-Agro sofreu uma retração conjunta de 28,8%, o que representa R$ 850 milhões a menos em relação à safra passada, acirrando a disputa por recursos para projetos de investimento.
O alerta dos juros reais: Análise da FGV Agro
Estudo publicado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) aponta que a alta da taxa Selic (em 14,25% a.a.) neutraliza o crescimento nominal do Plano Safra Empresarial (+1,7%). Descontada a inflação pelo IGP-DI (projetada em 2,5%), a oferta de crédito empresarial apresenta uma retração real de 0,8%.
Na prática, os encargos financeiros pesam sobre a margem do produtor:
Custeio da Soja: Os encargos de financiamento elevam o custo por saca de R$ 60,00 para R$ 62,40 (+4,0%).
Aquisição de Maquinário: O financiamento de um equipamento de R$ 600 mil em 60 meses gera R$ 116.220 em juros, encarecendo a compra em 19,4%.
Principais Resoluções do CMN e Socorro ao RS
O Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou normas que ajustam o Manual de Crédito Rural (MCR):
Resolução nº 5.324/2026: Efetiva a queda das taxas para cooperativas (12,5% a.a.) e amplia limites de repasse.
Resolução nº 5.323/2026 (Pronaf): Atualiza regras da agricultura familiar, exigindo CAF ativo e ampliando o Pronaf Jovem (teto de R$ 50 mil) e o Pronaf B (renda máxima de R$ 60 mil e crédito de até R$ 74 mil).
Resolução nº 5.322/2026: Reduz encargos do Funcafé e autoriza o Pronamp a financiar animais de reprodução.
Resolução nº 5.321/2026 (Linha Especial RS): Cria linha temporária de capital de giro (válida até 30/12/2026) para cooperativas gaúchas atingidas por enchentes. Oferece limite de até R$ 90 milhões por entidade, prazo de 5 anos (com 24 meses de carência) e taxas de 8% a.a. (Pronaf) a 10% a.a. (demais).
Da Redação com informações do Sistema OCB























