Crescimento da avicultura argentina já coloca o país no radar de empresas brasileiras interessadas em investir no setor.
Frango argentino em destaque

O crescimento exponencial da avicultura na Argentina já coloca o país no radar de empresas brasileiras interessadas em investir no setor. Segundo empresários que se reuniram semana passada em Buenos Aires para o Congresso Latino-americano de Avicultura, a BRF Brasil Foods seria uma interessada na aquisição de ativos no país ou em uma sociedade com argentinos. Questionada sobre o tema na última sexta-feira, a BRF não se pronunciou.
Atualmente, não há investidores internacionais entre as 38 empresas processadoras de carne de frango na Argentina, ainda um resíduo da crise que afetou o país nos anos 1990 e que levou ao fechamento de 20 das 35 empresas existentes à época.
A recuperação tem sido forte: em 2003, a produção de carne de frango na Argentina era de 800 mil toneladas e a previsão é alcançar 1,7 milhão de toneladas este ano. As exportações de carne de frango também deram um salto, saindo de 43 mil toneladas há oito anos para 320 mil toneladas estimadas para este ano, segundo a Câmara de Empresas Processadoras de Carne da Argentina (CEPA).
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“O Brasil e a Argentina são hoje os dois países mais competitivos na avicultura, sendo que a Argentina cresce no mercado externo, impulsionada pela questão cambial. Mas mesmo que o peso já não esteja tão valorizado, o país ainda tem vantagens comparativos na produção de grãos, na logística e na qualidade de mão de obra”, comentou o ex-ministro da Agricultura e presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra. Segundo ele, o modelo de produção nos dois países está praticamente igual e a diferença de custo de produção de carne de frango no Brasil e na Argentina estreitou-se muito.
“A Argentina exporta 18% do que produz e pretendemos chegar a 25% até 2017. Isso com um crescimento do consumo per capita de 39 para 45 quilos por ano. Mas não competimos e não competiremos com o Brasil”, afirmou o presidente da CEPA, Roberto Domenech.
De acordo com o dirigente, o crescimento das exportações argentinas está ocorrendo em países em que por uma série de fatores o Brasil não concorre diretamente. E o principal vetor de crescimento da produção é o mercado interno: o consumo de frango cresce na esteira da redução da produção de carne bovina e de seu consumo no país, acentuada nos últimos cinco anos. Em 2003, o consumo per capita médio de carne de frango na Argentina era de apenas 21 quilos.
O único mercado em que há uma presença forte de Brasil e Argentina é a Venezuela, para onde os exportadores argentinos destina cerca de 60 mil toneladas por ano. É também o único país latino-americano para quem o Brasil faz vendas relevantes (164 mil toneladas em 2010, segundo dados da Ubabef).
“Mas ali existe um acordo entre os governos dos dois países pelo qual as exportações de frango são pagas com exportações venezuelanas de produtos de energia”, afirmou Domenech.
O segundo maior mercado para os exportadores argentinos é o Chile, com compras da ordem de 30 mil toneladas anuais, ante cerca de 20 mil provenientes do Brasil. No Oriente Médio, a área em que o Brasil escoa o maior volume de suas exportações, ou cerca de 30% do total, as vendas argentinas não chegam a 10 mil toneladas por ano. O país vende o produto para 60 destinos, sendo 19 deles na África. O Brasil faz exportações para 157 destinos.
A Argentina cresce com igual vigor na exportação de ovos. Segundo dados apresentados no congresso, semana passada, por Jerry Dreyer, diretor da empresa americana HY Line, o país já conta com 28% do mercado de ovos secos da União Europeia e 13% do mercado de gema.





















