Missão gaúcha encerra participação em feira alemã contabilizando negócios efetivados e planejando novos projetos.
Novidades inspiram empresários na Anuga
Os empresários e representantes de entidades integrantes da missão gaúcha na Anuga 2011, feira mundial de alimentos encerrada ontem (12) em Colônia, na Alemanha, embarcam hoje à noite para o Brasil satisfeitos com os negócios realizados ou com boas perspectivas de efetivação, mas também atentos aos avanços que precisam ser implementados para melhorar a qualidade dos alimentos servidos aos brasileiros. Na bagagem, levam diversas novidades de produtos que já fazem parte do dia a dia especialmente dos europeus e que revelam um interesse cada vez maior por praticidade aliada ao sabor e aos potenciais benefícios à saúde.
Com o tempo cada vez mais escasso para se dedicar à cozinha, o consumidor busca alimentos de preparo rápido, mas sem perder as características de comida feita em casa. Por isso, os expositores da Anuga oferecem um grande portfólio com as mais diferentes combinações e temperos, sem se descuidar dos benefícios que podem oferecer a quem consome o produto, diz a coordenadora do Projeto Escola de Alimentos do Nutritech – Instituto Tecnológico Unisinos, Denize Righetto Ziegler.
“O objetivo é que as pessoas gostem do que estão comendo e nesse ponto ainda temos muito o que avançar”, avalia Denize ao descrever a consistência, aroma e aparência de pratos prontos congelados comercializados ao redor do mundo e reunidos em um dos 11 pavilhões do Centro de Exposições de Colônia, que receberam 150 mil visitantes em cinco dias. “A qualidade é desafiadora e os processos ainda não estão dominados no Brasil, há muito que avançar, pois qualidade envolve o ato de colocar o alimento na boca e sentir o sabor. Isso cria a fidelidade às marcas”, explica a especialista.
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Segundo a engenheira de alimentos da consultoria OZ Fabiana Zanin, o boom dos alimentos congelados ainda não aconteceu no Brasil por conta da grande oferta de comida fresca, mas a tendência é pela redução do hábito de cozinhar no dia a dia. “Ir para cozinha é cada vez mais um hobby para os momentos de lazer”, avalia. Para se popularizar, além de ganhar em qualidade, é preciso ser competitivo no preço e isso se alcança somente com escala de produção, ressalta Fabiana. “Não há como crescer em volume sem automatizar a linha de produção”, diz ao se referir às micro e pequenas empresas. O mercado brasileiro, que começa a engatinhar na diferenciação de produtos, deve consolidar o que já se observa hoje na Europa: linhas econômica e gourmet, com diferenciações de preço e maior abrangência.
A identificação do sabor é fundamental e envolve não só o paladar, mas também outros sentidos. Na formulação, Denize ressalta que é preciso dar atenção à qualidade nutricional, já que as características nutracêuticas, ou seja, os benefícios à saúde que um alimento oferece, são cada vez mais valorizadas. Nesse ponto, os orgânicos ganham espaço não só na Anuga, como também na lista de compras e, para a coordenadora da Unisinos, o Rio Grande do Sul pode se beneficiar disso, aproveitando-se do grande número de agricultores familiares. Porém, há uma ressalva: a qualidade. “Os orgânicos que encontramos aqui têm boa apresentação, sabor e certificação. Sem um selo confiável é impossível conquistar o mercado”, diz.
Entidades apoiam maior qualificação dos alimentos brasileiros para conquistar consumidores
Investir na qualificação da produção para conquistar os consumidores é requisito fundamental para as empresas. Para ajudar as MPEs, o Sebrae mantém cursos e consultorias em diversas áreas, da certificação ao design, auxiliando assim na melhoria dos processos produtivos dos negócios. “É importante buscar esse suporte para organizar o negócio e crescer”, diz o gerente da área industrial do Sebrae/RS, Clóvis Masiero, que acompanhou o grupo de 11 MPEs gaúchas que participaram da feira com o apoio da instituição. Em operação desde o início do ano, o Nutritech também é parceiro das empresas de diversos portes nesse objetivo.
Ao encerrar a missão gaúcha, o gerente de relações internacionais e comércio exterior da Fiergs, Ayrton Pinto Ramos, ressalta a importância da participação em eventos como a Anuga para qualificar os negócios no Brasil. “Nosso País ainda é muito carente de oferta e muitas das tendências apresentadas na feira ainda não estão à disposição dos brasileiros”, constata. Por isso, Ramos incentiva os empresários a participarem para qualificar sua produção, mesmo que não tenham foco imediato em exportação. Nos estandes coletivos organizados pela Apex-Brasil, os expositores apontam um crescimento de até 40% em novos potenciais mercados, de acordo com o supervisor de acesso ao mercado e imagem do órgão de fomento ao mercado externo, Vinicius Estrela.





















