Queda na demanda e entraves nos frigoríficos elevam pesos e reacendem gargalos na produção
Acúmulo de suínos volta a pressionar granjas no Reino Unido

Produtores de suínos no Reino Unido voltam a enfrentar acúmulo de animais nas granjas diante da dificuldade de escoamento para os frigoríficos. Segundo a Associação Nacional de Suinocultores (NPA), a menor demanda por carne suína tem levado unidades de abate a reduzirem o ritmo de recebimento, enquanto os custos de produção seguem em alta, influenciados pela situação no Oriente Médio.
Esse cenário já se reflete nos indicadores da produção. Dados do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) mostram que o peso médio das carcaças subiu de 91,7 kg em dezembro para 93,7 kg no fim de março. No mesmo mês, a produção de carne suína alcançou 89 mil toneladas, volume 11% superior ao registrado um ano antes.
O setor não é estranho a esse tipo de gargalo. Entre 2021 e 2022, a atividade enfrentou atrasos significativos primeiro por causa da pandemia de Covid-19 e, na sequência, pelos efeitos do Brexit, que provocaram escassez de mão de obra em frigoríficos após a saída de trabalhadores da União Europeia. Embora a situação tenha se estabilizado nos últimos anos, os problemas voltaram a aparecer. De acordo com a NPA, o nível atual ainda não atinge o observado naquele período, mas permanece relevante e persistente.
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A entidade aponta que o desequilíbrio entre oferta e demanda está no centro da questão. Diante de sinais positivos do mercado, produtores ampliaram a produção, mas, nas últimas semanas, a procura por carne suína perdeu força. Ao mesmo tempo, frigoríficos enfrentam dificuldades técnicas em algumas plantas, o que contribui para o acúmulo de animais nas propriedades.
A Associação Britânica de Processadores de Carne (BMPA) atribui parte dos atrasos ao impacto do fechamento de unidades antes do Natal, somado à postergação de manutenções e reformas realizadas após o período festivo. Segundo a entidade, ainda há atrasos em determinadas regiões, e os processadores seguem trabalhando com produtores para reduzir o problema.
Outro fator citado é a possível expansão do rebanho suíno nacional em 2025, impulsionada, entre outros pontos, pela redução das taxas de mortalidade. A BMPA ressalta que uma parcela significativa dos animais vem do setor independente e destaca que a permanência prolongada dos suínos nas granjas pode gerar impactos no bem-estar animal, exigindo gestão cuidadosa da oferta por parte dos frigoríficos.
Apesar das dificuldades internas, o comércio exterior apresenta sinais positivos. Informações do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura (AHDB) indicam avanço nas exportações britânicas de carne suína. Em fevereiro, foram embarcadas 29.300 toneladas, alta de 15% em relação a janeiro e de 24% na comparação anual. Houve aumento expressivo das vendas para a China, além de crescimento das exportações para Alemanha, Dinamarca e Polônia dentro da União Europeia.
No mesmo período, as importações recuaram 5% em relação ao ano anterior, totalizando 56.100 toneladas, com destaque para a queda mais acentuada nos embarques provenientes da Holanda.
Fonte: Pig Progress























