Ariel Antonio Mendes é o novo presidente da Associação Latino-Americana de Avicultura. E como principal meta, revela que pretende deixar a associação mais executiva do que política.
O novo CEO da ALA
Redação (05/11/2007)- O momento é dele. Ariel Antonio Mendes acaba de ser eleito presidente da Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA), uma das mais importantes e respeitadas entidades do setor no mundo. A gestão é para o biênio 2007/2009.
Depois de uma lacuna de 24 anos sem nenhum brasileiro ocupar o mais alto posto da ALA (o último presidente brasileiro da associação latina foi Afonso Back, entre 1983 e 1985), Mendes tem a oportunidade de assumir a presidência da ALA num bom momento da avicultura brasileira – que deverá fechar o ano de 2007 com uma produção superior a 10 milhões de toneladas de carne e exportações acima de 3 milhões de toneladas – e depois de alcançar excelentes resultados com o XX Congresso Latino-Americano de Avicultura, realizado há poucas semanas Leia também no Agrimídia:
Sobre as suas metas para a ALA, Ariel Mendes revela que pretende dar à associação uma atuação mais executiva do que política. “A associação acabou de fazer uma reforma de estratégias e uma reforma em seu estatuto para deixá-la com um cunho mais executivo”, explica Mendes. “Os cargos de primeiro e de segundo vice-presidentes foram extintos e agora nós contamos com vice-presidências executivas como Relações Públicas, Assuntos Técnicos, Informação e Publicação e Financeiro”.
Ainda de acordo com o novo presidente, o grande desafio da ALA será buscar mecanismos para viabilizar a produção avícola nos países dependentes do milho americano e manter a atividade competitiva nos países já auto-suficientes. “Trabalharemos com a proposta de fazer com que estes países aumentem a sua produção de milho e diversifiquem a sua cultura de grãos para terem disponíveis outras fontes para alimentação animal”.
Passado e presente
Ariel Antonio Mendes nasceu em 29 de janeiro de 1948, na cidade de Lages,
Hoje, Ariel é professor Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu (SP); é presidente da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (Facta); vice-presidente Técnico/Científico da União Brasileira de Avicultura (UBA), membro do Conselho Consultivo do Programa Nacional de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura; representante das empresas brasileiras no Comitê Interamericano de Sanidade Avícola (Cisa), entre outros e representante pela ALA no Comitê de Higiene dos Alimentos e no Comitê de Resíduos de Produtos Veterinários do Codex Allimentarius. Possui mais de 80 trabalhos publicados em revistas científicas especializadas no Brasil e no exterior, apresentou cerca de 200 trabalhos em congressos e escreveu vários artigos para livros e capítulos de livros sobre avicultura. É também coordenador técnico do Seminário Internacional de Qualidade da Carne de Frango, da AveSui América Latina, entre outros eventos.
Bate-papo Além de se dedicar às questões da avicultura brasileira e latino-americana, Ariel Mendes cultiva sonhos pessoais e se diz um apaixonado por cinema e viagens com a família. Confira neste bate-papo um pouco da personalidade do homem que hoje representa o setor avícola brasileiro nos quatro cantos do mundo. Avicultura Industrial – O que o senhor pensa sobre a avicultura brasileira? Ariel Mendes – Temos atualmente a melhor avicultura do mundo e não chegamos lá por acaso. Isso ocorreu devido a uma série de fatores como a implementação de programas de qualidade para atender a exigência de diferentes mercados importadores, desde os mais simples até os mais sofisticados como a União Européia e o Japão. Como o Brasil exporta para 146 países, as empresas brasileiras recebem uma média de duas visitas semanais de missões de países importadores e de certificadora nacionais e internacionais. Isso obriga as empresas a investir em equipamentos, programas de manejo e de qualidade. Como as exigências são altas e não podemos ter dois tipos de frango, um para exportação e outro para o mercado interno, toda a avicultura brasileira acaba se beneficiando dessas políticas de qualidade e o resultado é uma melhoria contínua nos resultados de produção. Outro fator pouco lembrado, mas não menos importante, é a qualidade dos nossos técnicos e da mão-de-obra da base do setor. AI – Como seria a “avicultura ideal” na sua opinião? Ariel – A avicultura ideal seria aquela em que toda a cadeia de produção tivesse ganhos, inclusive o produtor de milho e de outros insumos básicos para a avicultura. Seriam importante também que os diferentes segmentos avícolas estivessem no mesmo patamar de qualidade como, por exemplo, o setor de genética, produção de frangos e produção de ovos. Esses setores estão juntos e não podemos ter elos mais fracos nessa cadeia, sob pena de o País pagar um preço muito alto na eventualidade de ocorrer algum problema sanitário mais grave. AI – O senhor é membro e dirigente de diversas entidades como UBA, Facta, ALA, Conselho de Avicultura do Mapa, Cisa, OIE e ainda é professor Titular e orientador de teses da Unesp. Tudo isso é paixão pela avicultura? Ariel – Com certeza. A avicultura está no meu sangue há bastante tempo e tenho orgulho de haver dado a minha pequena contribuição para atingirmos o patamar de qualidade em que estamos. O fato de atuar em tantos organismos significa que encaro a minha profissão com paixão e como um desafio que deve ser superado a cada dia. Como as coisas acontecem muito rapidamente na avicultura, trabalhar nesse setor significa encarar um desafio novo a cada dia. Talvez esse seja o segredo da paixão que o setor desperta nas pessoas que trabalham com avicultura. Claro que tenho contado com a contribuição de uma equipe de trabalho que tem me ajudado bastante, pois ninguém consegue fazer muita coisa sozinho. AI – Quando sobra algum tempo, o que o senhor gosta de fazer nas horas vagas? Ariel – Gosto muito de ler, de ir ao cinema e ao teatro e de sair com amigos no final de semana. Gosto também de viajar, conhecer lugares novos, mas, atualmente, como tenho viajado muito a trabalho tenho deixado um pouco de lado essa minha paixão, pois preciso procurar dedicar mais tempo para minha família. AI – O Dr. Ariel tem algum sonho para realizar? Ariel – A maioria dos sonhos eu já realizei, mas claro que alguns ainda estão por ser realizados. Quando perdemos a capacidade de sonhar, começamos a morrer um pouquinho a cada dia. Do ponto de vista profissional, o sonho mais imediato é poder continuar trabalhando em prol da avicultura. Em janeiro de 2008, já terei tempo para me aposentar na Universidade. A decisão de me aposentar vai depender da possibilidade de poder dedicar mais tempo ao trabalho como responsável pela área Técnica da UBA, realizando alguns projetos que foram postergados por absoluta falta de tempo, e pela necessidade de priorizar o mais urgente. AI – Ser presidente da UBA poderia ser encarado como parte desse sonho? Ariel – Acho que presidir a UBA é um sonho e uma honra para qualquer empresário ou técnico brasileiro que trabalhe com avicultura. Entretanto, a entidade está cada vez mais complexa pela importância que a avicultura brasileira tem hoje, não só interna como externamente. O desafio de presidi-la é muito grande e a carga de trabalho diário e de tarefas urgentes que precisam ser realizadas é impressionante. Por isso, além de competência, o presidente da UBA tem que dispor de tempo, pois muitas tarefas não podem ser delegadas e requerem a sua presença e atuação direta. Mas, não podemos esquecer que a UBA é uma federação de entidades estaduais e de empresas produtoras de aves e ovos. E, como toda associação desse tipo tem que ser democrática. Por isso, a escolha do presidente é um ritual sempre levado muito a sério e se elege aquele que na média represente o interesse de todos os segmentos da cadeia avícola. AI – Se o senhor não fosse médico veterinário, qual profissão o senhor seguiria? Por quê? Ariel – Não consigo me imaginar trabalhando em outra profissão que não a de médico veterinário. Costumo dizer para os meus alunos que o segredo do sucesso está em gostar daquilo que se faz. O trabalho deve ser também uma fonte de prazer e de realização, não somente uma maneira de ganhar a vida. |





















