Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↓ R$ 67,26 / kg
Soja - Indicador PR ↓ R$ 149,89 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 158,09 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 8,62 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,11 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,29 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,53 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,49 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,52 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 140,65 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 143,86 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 150,64 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 162,44 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 131,75 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 143,95 / cx
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,32 / kg
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,33 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↓ R$ 1.551,32 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.451,52 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 154,26 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 135,30 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 158,66 / cx
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Opinião

Hidrelétrica ou biomassa?

Ponto a favor da biomassa, frente à Belo Monte, é o baixo impacto direto aos recursos naturais e seu entorno. Conheça a opinião do diretor industrial da Dalkia Brasil, Philippe Roques.

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Hidrelétrica ou biomassa?

O recente episódio sobre o leilão para construção da usina hidrelétrica de Belo Monte reacende o debate sobre as fontes utilizadas no Brasil para produção de energia. Embora forneça energia limpa e com baixa emissão de poluentes, a hidrelétrica de Belo Monte apresenta uma série de entraves que vão desde questões políticas e ambientais ao impacto que gerará à comunidade do entorno.

O projeto para construção de Belo Monte renasce após 30 anos de discussões acerca de sua viabilidade e em meio à corrida eleitoral. Os R$ 19 bilhões iniciais previstos para a concretização do projeto podem chegar a quase R$ 35 bilhões, segundo expectativas das empresas que estudaram a construção. A alta do valor de implementação do projeto ainda poderá influenciar o preço final da energia gerada na usina, um dos critérios tidos como vantajosos para que Belo Monte saísse do papel.

Paralelamente, os impactos ambientais e sociais que a construção da usina trarão à comunidade são imensos. Além de ser necessária a alteração do curso do rio, deslocando grandes quantidades de recursos naturais como rochas e terra, e a inundação de uma parte da floresta, o que emite mais gás carbônico, a usina mudará drasticamente a rotina dos moradores da região. E mesmo com todo esse esforço, a usina só começará a gerar energia em meados de 2015.

Diante do cenário de dificuldades para a construção de Belo Monte, existe a possibilidade de pensarmos em outras fontes de energia que, igualmente, emitem menor teor de poluentes. A geração de energia a partir de biomassa, além de demandar menor capital para a implementação de projetos, garante a geração de energia em menor tempo. Outra vantagem é que a construção das usinas pode ser centralizada na área de consumo, o que diminui os custos de transmissão. A estimativa é que, no prazo de dois a três anos, uma térmica de biomassa já poderia fornecer energia.

Outro ponto a favor da biomassa, frente à Belo Monte, é o baixo impacto direto aos recursos naturais e seu entorno. A geração à biomassa, aliás, agrega utilidade a um resíduo natural, antes descartado sem utilização, movimentando a economia do entorno, uma vez que cria uma nova demanda por produtos e trabalhadores.

De acordo com especialistas, com os investimentos necessários, a biomassa pode responder anualmente pela produção de 5 mil megawatt ao ano, quantidade considerada ideal para inclusão anual no sistema elétrico brasileiro, para manutenção do crescimento do País. Ao longo do tempo, a tendência é que a tecnologia para a implementação de termoelétricas de biomassa, hoje considerada cara, torne-se mais barata, proporcionalmente à sua utilização.

A matriz energética brasileira é considerada uma das mais limpas do mundo. Cerca de 45% da energia gerada no Brasil é resultado de fonte renovável, segundo especialistas. A matriz é formada, atualmente, por 85% de energia produzida em hidrelétricas e 5,4% a partir de termoelétricas à biomassa.

Especificamente sobre biomassa, como grande trunfo em relação aos demais países, o Brasil possui um clima favorável a esse tipo de geração de energia. Também, a biodiversidade contribui para a existência de uma ampla gama de recursos que podem ser utilizados na produção de energia com biomassa.

No Brasil, os dois principais tipos de biomassa utilizados são a cana de açúcar (etanol), que tem um mercado mais estruturado, e os resíduos de madeira e vegetais, parte da cadeia que começa a se estruturar. Porém, ainda há diversos outros materiais que podem ser utilizados na geração de energia, como palha de milho e de trigo, casca de arroz e resíduos de cacau, entre outros.

Outro ponto de destaque para a utilização da biomassa é o custo da matéria-prima inicial, que sofre menor flutuação no mercado, frente a outras fontes, e pode gerar menor impacto no preço final da energia. A expectativa é que, entre três e cinco anos, o País esteja em fase madura no processo de geração de energia com biomassa.

A preocupação global com o meio ambiente deve ainda ser um dos principais motores para impulsionar a geração de energia a partir de biomassa no Brasil. Isso porque o processo de geração de energia com esse tipo de matéria-prima reduz consideravelmente a eliminação de gás carbônico na atmosfera, durante a queima do produto. Em um cenário em que os países possuem metas crescentes para redução de poluentes e onde as principais empresas globais priorizam recursos mais limpos, a biomassa pode ser a chave para transformar o desafio da sustentabilidade em realidade.

O Brasil tem muito a ganhar com a geração à biomassa. Além de funcionar muito bem e gerar ganhos ambientais e financeiros, gera oportunidades. Com o tempo e o amadurecimento desse mercado, as indústrias de biomassa deverão se estruturar e dar mais velocidade à criação e negociação de uma energia mais limpa e mais barata. Além disso, o País tem a possibilidade de se firmar como uma potência na geração de energia limpa e servir de modelo aos demais países do globo.

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