Por Alan Bojanic representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil
Embrapa: um Instituto de Pesquisa Global

Apontado como o futuro abastecedor de alimentos do planeta, o Brasil tem um compromisso ainda maior: é peça vital na elaboração de uma agricultura de referência mundial, eficiente e sustentável. Os estudos e as pesquisas desenvolvidas a partir da década de 1970 tiveram um impacto tão grande na produção agrícola nacional que foi inevitável não tornar a disseminação desse conhecimento em um compromisso global.
Assim, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável por tais avanços, não apenas é capaz de devolver aos brasileiros R$ 11 para cada real nela investido, e considerando apenas um conjunto de tecnologias, como se tornou uma instituição a serviço da agricultura e do desenvolvimento sustentável de todo planeta, principalmente para os trópicos. Por consequência, contribui para a agenda de trabalho da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo fortalecimento da agricultura familiar e a erradicação de todas as formas de má nutrição.
Por meio de uma vasta rede de cooperação internacional nos âmbitos técnicos e científicos, a Embrapa transforma a realidade rural de países tropicais em desenvolvimento e realiza intercâmbio de conhecimentos com comunidades técnico-científicas de todos os continentes.
Leia também no Agrimídia:
- •UE pode suspender frango brasileiro por atraso em auditoria sanitária
- •Paraná projeta 22,64 milhões de toneladas de soja e redesenha o custo da proteína em 2026/27
- •Crédito do agro atinge R$ 580,78 bilhões em CPR e exportações somam US$ 218,6 bilhões no ano
- •Oferta de carne de frango no 2º trimestre atinge 2,25 milhões de toneladas
Mais do que um instrumento de desenvolvimento socioeconômico mundial, as cooperações científicas são um importante posicionamento estratégico, tecnológico e comercial para o Brasil: uma das chaves para o aumento da qualidade da produção e dos produtos nacionais dos pequenos e dos grandes produtores.
Junto à Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Embrapa troca experiências tecno-científicas com mais de 55 países. São 180 acordos de cooperação bilateral e 15 acordos multilaterais, com mais de 126 instuições internacionais.
Ao disseminar saberes para o melhor cultivo e manejo agrícola de nações em desenvolvimento, as cooperações técnicas realizadas – algumas em parceria com a FAO, como o acordo de cooperação de especialistas, transformam a vida de comunidades rurais mundo afora. Além disso, impactam diretamente o potencial de crescimento de países da África, Ásia, América do Sul e Caribe – muitos deles se recuperando de guerras civis e de grandes desastres naturais.
As cooperações científicas com instituições internacionais fazem a troca de conhecimentos de ponta que promovem o avanço da agricultura brasileira. O Programa de Laboratórios Virtuais no Exterior (Labex), criado pela Embrapa, identifica demandas e direciona o fluxo de conhecimento científico para assuntos de interesse da agricultura, norteando a agenda de cooperações.
Para além das questões socioeconômicas, a troca de conhecimento científico tem papel fundamental na elaboração de uma agricultura ecologicamente responsável. O setor responde por uma complexa corrente de responsabilidades que, hoje, dependem de pesquisa e de soluções tecnológicas para o cumprimento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: na erradicação da fome e na agricultura sustentável (ODS2), fazendo frente à mudança global do clima (ODS13), na garantia de trabalho decente e do crescimento econômico (ODS8) e na produção e consumo responsáveis (ODS12), entre outros objetivos relacionados, de forma direta ou indireta, à agricultura.
O Brasil e a Embrapa têm um grande desafio pela frente: manter o ritmo que levou o país da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos, e seguir desenvolvendo pesquisas e técnicas que tornem a agricultura de todo o planeta mais eficiente. E o que é mais importante, em consonância com uma agenda pautada por encargos sociais e ambientais, a Embrapa se torna imprescindível para o desenvolvimento sustentável do planeta.























