Fórum reúne autoridades, pesquisadores e representantes do setor produtivo para transformar preocupação em ação e proteger quem produz, os rebanhos e o futuro do campo brasileiro
Faesp mobiliza especialistas contra avanço dos javalis

O avanço dos javalis e javaporcos deixou de ser um problema localizado e se transformou em uma ameaça que exige resposta coordenada do poder público, da pesquisa e do setor produtivo. Com esse objetivo, o Sistema Faesp/Senar realiza, no próximo dia 15 de setembro, em São Paulo, o Fórum Faesp/Senap/CNA – Javalis e javaporcos: impactos, estratégias e ações coordenadas. O encontro, em formato híbrido, reunirá autoridades, pesquisadores, especialistas e representantes de diferentes elos da agropecuária para discutir os prejuízos provocados pela espécie invasora, os riscos sanitários e ambientais e, principalmente, caminhos efetivos para ampliar o controle no país.
Para o presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, o momento exige que o debate seja convertido em medidas concretas. “Não podemos permitir que o produtor rural enfrente sozinho um problema que ultrapassa os limites de sua propriedade. O javali destrói lavouras, causa prejuízos, ameaça o equilíbrio ambiental e representa um risco sanitário que precisa ser tratado com muita seriedade. Precisamos unir conhecimento científico, poder público e experiência de quem está no campo para construir uma estratégia nacional eficiente e permanente”, afirma.
A dimensão do desafio ajuda a explicar a mobilização. Considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, o javali já tem registros em 15 unidades da Federação e apresenta elevada capacidade de adaptação e reprodução. Além de consumir e destruir plantações, os animais provocam pisoteio, danos ao solo, cercas e estruturas das propriedades, elevando os gastos dos produtores com proteção e controle. Há relatos localizados, em 2026, de perdas de até 40% na cultura do milho em áreas severamente atingidas. Estudo econômico publicado em 2025 indica ainda que, em cenário intermediário envolvendo milho, soja e cana-de-açúcar, o controle populacional poderia resultar, até 2030, em um PIB 0,15% superior ao cenário-base, com benefício estimado em aproximadamente R$ 1.016 para cada animal manejado.
Um dos pontos centrais do Fórum será a sanidade animal. A programação contará com a participação de Lia Coswig, chefe da Divisão de Sanidade de Suídeos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); Diógenes Kassaoka, subsecretário executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo; entre outros. Os especialistas ajudarão a dimensionar os riscos associados à presença de populações de suínos selvagens e sua interação com rebanhos comerciais.
Entre as maiores preocupações está a Peste Suína Africana (PSA), enfermidade altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens. Embora o Brasil permaneça livre da doença, uma eventual introdução poderia provocar graves consequências para a suinocultura, atingindo produção, exportações, emprego e renda e exigindo elevados recursos públicos e privados para contenção e erradicação. Para Tirso Meirelles, a prevenção precisa estar no centro das decisões. “O Brasil conquistou mercados e credibilidade internacional porque construiu um patrimônio sanitário ao longo de décadas. Proteger esse patrimônio significa proteger o produtor, os empregos, nossas exportações e a segurança de toda uma cadeia produtiva. Na sanidade, não podemos agir apenas depois que o problema acontece. Prevenir é sempre o caminho mais seguro e menos oneroso”, destaca.
A programação também dará espaço às experiências práticas de manejo. Felipe Pedrosa, especialista e consultor da Mão na Mata – Manejo e Soluções Ambientais, estará entre os palestrantes, enquanto representantes do Ibama, ICMBio, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) e órgãos estaduais de defesa sanitária estarão entre os convidados. A proposta é colocar na mesma mesa diferentes experiências e visões sobre legislação, controle populacional, conservação ambiental, produção agropecuária e defesa sanitária.
Mais do que uma sequência de palestras, o Fórum foi estruturado para buscar convergência. Pela manhã, os painéis discutirão a evolução da legislação, o panorama da presença dos javalis e os riscos sanitários sob as perspectivas nacional e paulista. À tarde, serão apresentados casos e propostas de controle. O trabalho avançará então para a seleção de ações prioritárias, considerando urgência, impacto, viabilidade e capacidade de articulação, e será encerrado com a construção de uma matriz de compromissos, com definição de ações, responsáveis e prazos.
“O produtor precisa sair desse debate com a perspectiva de soluções. Não basta reconhecer que existe um problema: é preciso definir responsabilidades, estabelecer prioridades e agir. Quando o javali invade uma lavoura, é o trabalho de uma família que está sendo destruído. Quando ameaça a sanidade, é toda uma cadeia produtiva que fica exposta. A Faesp quer contribuir para transformar conhecimento e diálogo em ação concreta, porque defender o produtor rural é também defender a produção de alimentos e o futuro do agro brasileiro”, conclui Tirso Meirelles.
Fonte: Faesp
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