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Estresse e ansiedade em leitões pode ser resultado de alterações epigenéticas em machos suínos

Bem-estar dos reprodutores levariam a modificações epigenéticas nos gametas, influenciando aspectos comportamentais e fisiológicos em sua prole

Estresse e ansiedade em leitões pode ser resultado de alterações epigenéticas em machos suínos

Por Humberto Luis Marques

 

Um estudo abrangente pretende avaliar como as condições de bem-estar de machos reprodutores suínos podem influenciar decisivamente aspectos cognitivos e fisiológicos em sua prole. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que situações de estresse vividas por estes animais resultam em modificações epigenéticas nos gametas durante o processo de espermatogênese e de trânsito no epidídimo, transferindo estas alterações para a futura leitegada, independente da questão materna. Mais do que isto, este trabalho científico pode resultar em um modelo aplicável em pesquisas humanas, correlacionando o impacto do estresse paterno, sobre as características dos espermatozoides, com determinados aspectos comportamentais em seus futuros filhos.

Conduzido pela equipe do Centro de Estudos Comparativos em Saúde, Sustentabilidade e Bem-estar (CECSBE), ligado ao Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga (SP), a pesquisa é inédita dentro do foco proposto, pois tenta determinar a contribuição dos progenitores masculinos em aspectos cognitivos e fisiológicos da prole, tendo como modelo o suíno. A maioria dos experimentos tem a fêmea como objeto de estudo, sem avaliar o real papel do macho neste processo. O que acaba sendo um direcionamento óbvio pela condição íntima das fêmeas com a cria, que envolve o período gestacional e os cuidados iniciais com os neonatos, o que pode influenciar aspectos de comportamento, fisiologia e resiliência, além de possíveis modificações epigenéticas causadas pelas experiências de vida e sistema de criação, as quais também podem ser transmitidas às ninhadas.

O especialista em bem-estar animal Adroaldo José Zanella, coordenador do CECSBE e orientador do projeto, explica que o cerne dos estudos se concentra em questões ligadas à resiliência dos suínos, que pode ser entendida como a capacidade de se recuperar facilmente ou de se adaptar a mudanças e situações adversas. “Esta habilidade cognitiva de negociar dificuldades com o uso de mecanismos de ajustamento e estabilidade emocional são muito importantes”, afirma Zanella. “Queremos um leitão robusto, que saiba negociar dificuldades sem transformar situações cotidianas em uma catástrofe”. Um dos aspectos centrais para a indústria é reduzir a prevalência de disputas agressivas entre os animais. Brigas podem resultar em lesões, perdas de peso, infecções e estresse desnecessário. “A agressividade excessiva em um ambiente social pós-desmame não é um comportamento condizente com aquela situação”, reforça o coordenador.

Confira a reportagem na íntegra clicando aqui.

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