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Nutrição

Reduzir o uso de antimicrobianos e promover a saúde intestinal dos leitões na creche: é possível?

Através do colostro e do leite, os leitões adquirem anticorpos de forma passiva, que ajudam no estabelecimento da imunidade local intestinal, protegendo a mucosa e neutralizando patógenos 

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Reduzir o uso de antimicrobianos e promover a saúde intestinal dos leitões na creche: é possível?

A separação da mãe, mistura com outras leitegadas, adaptação a uma nova dieta e mudança de ambiente são alguns dos fatores que tornam os leitões em fase de creche mais suscetíveis a infecções (Heo et al, 2012). A associação destes fatores faz desta fase aquela que mais consome antimicrobianos, na tentativa de controlar os quadros de diarreia pós-desmame e promover o crescimento dos leitões (Heo et al, 2012; Guardabassi et al, 2018). Porém, a redução do uso destas moléculas tem se tornado mandatória e os produtores precisam adotar estratégias que os ajudem nesta tarefa.

 Entretanto, a redução dos antimicrobianos deve ocorrer apoiada em medidas que garantam a saúde dos leitões e, de forma mais específica, sua saúde intestinal. Nesse escopo, duas medidas tornam-se essenciais para alavancar a imunidade dos animais: o aleitamento materno e o manejo nutricional (Guardabassi et al, 2018). 

Através do colostro e do leite, os leitões adquirem anticorpos de forma passiva, que ajudam no estabelecimento da imunidade local intestinal, protegendo a mucosa e neutralizando patógenos (Hedegaard et al, 2016). O aumento da idade ao desmame tem sido relacionada com uma resposta imune mais eficiente, entretanto, quando desmamados antes dos 21 dias de vida, os leitões tornam-se mais suscetíveis a infecções entéricas, devido a imaturidade do sistema imune intestinal (Heo et al, 2012; Hedegaard et al, 2016). 

 Já a dieta se constitui como um desafio pela necessidade dos leitões de se adaptarem a uma dieta sólida, mais rica em fibras e de difícil digestão pela alta quantidade de proteína bruta (Heo et al, 2012). Assim, o ideal é que a ração tenha partículas pequenas, de alta digestibilidade, com menos substratos disponíveis para a multiplicação de patógenos, sendo a ração peletizada uma boa opção (Kil & Stein, 2010). Quanto à composição, o mais indicado é que no desmame imediato os animais recebam uma ração com menos proteína bruta, pela dificuldade dos leitões em digeri-la, o que pode favorecer a fermentação e multiplicação microbiana (Kil & Stein, 2010; Heo et al, 2012). Ao longo da fase de creche essa quantidade deve ser ajustada para não prejudicar o seu crescimento  (Kil and Stein, 2010)

A associação destas duas medidas pode ajudar a melhorar a saúde dos animais durante a fase de desmame e amenizar os problemas deste período desafiador, reduzindo a necessidade do uso de antimicrobianos e tornando-os capazes de enfrentar os desafios com um sistema imunológico competente.

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