Fusão resultaria na formação de uma empresa de trading ampliando capacidade competitiva no mercado
Bunge e Viterra planejam fusão histórica, criando gigante agro de US$ 25 bi

O mercado de commodities agrícolas está prestes a presenciar um tão esperado acordo que resultará na criação de uma gigante avaliada em US$ 25 bilhões, capaz de competir com os principais players do mundo. A Bunge está atualmente em negociações para uma possível fusão com a Viterra, unidade de grãos da Glencore. Dessa vez, o CEO da Bunge, Greg Heckman, lidera a iniciativa, após conduzir uma notável reviravolta na empresa nos últimos anos.
Essa fusão resultaria na formação de uma empresa de trading ampliando capacidade competitiva no mercado. Além disso, consolidaria a recuperação da Bunge sob a liderança de Heckman, que transformou a empresa de uma operação deficitária em uma líder no setor de oleaginosas desde que assumiu o cargo cerca de quatro anos atrás.
“A fusão faz todo o sentido”, afirma Jonathan Kingsman, ex-operador de commodities e autor de um livro sobre o setor. “Você estaria combinando o maior esmagador de oleaginosas do mundo com uma das principais operadoras de grãos.”
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Ao longo de grande parte de sua história desde a sua fundação em Amsterdã, há mais de dois séculos, a Bunge foi principalmente uma trading de grãos. Sua expansão para as Américas a tornou uma das quatro maiores tradings do mundo, conhecidas como ABCD, juntamente com ADM, Cargill e Louis-Dreyfus.
No entanto, durante anos de safras abundantes que reduziram as margens de lucro, a Cargill e a ADM buscaram setores mais rentáveis, como carne e nutrição animal. Enquanto isso, a Bunge e a Dreyfus, cuja proprietária bilionária Margarita Louis-Dreyfus estava focada em adquirir as participações de outros membros da família, perderam terreno.
Entre 2014 e 2018, as ações da Bunge caíram cerca de 35%. Após uma aposta mal sucedida nos preços da soja que resultou em uma perda trimestral surpreendente em 2018, investidores ativistas da D.E. Shaw e Continental Grain ajudaram a derrubar o então CEO, Soren Schroder.
Foi então que Heckman foi cuidadosamente selecionado por suas habilidades como operador e negociador. Durante anos, especulações surgiram sobre a venda da Bunge sob sua liderança, mas ele optou por revitalizar a trading, cortando custos, vendendo negócios de baixo desempenho e focando na gestão de riscos. Sua estratégia concentrou-se em transformar a Bunge em uma gigante das oleaginosas, processando desde soja até canola e sementes de girassol para a produção de óleo de cozinha e ração animal.
Em vez de colocar a Bunge à venda, Heckman conseguiu revigorar a empresa, que viu seu valor de mercado aumentar cerca de 80% e agora possui recursos financeiros significativos. “Temos a capacidade de realizar um negócio maior se fizer sentido, mas tudo precisa estar alinhado”, afirmou o CEO em fevereiro.
O antecessor de Heckman rejeitou uma tentativa da Glencore de adquirir a Bunge em 2017. Desta vez, é a Bunge que está buscando a fusão. Uma das opções em discussão é um acordo baseado em ações, no qual os acionistas da Bunge manteriam o controle da nova entidade, de acordo com fontes familiarizadas com as negociações.
A Glencore, que há anos busca formas de extrair valor da Viterra, está aberta a negociar com um concorrente, afirmou o CEO Gary Nagle no início deste ano. Outras opções em consideração incluem a venda de participação para um novo investidor ou uma oferta pública inicial (IPO), acrescentou Nagle em fevereiro.





















