Alta de custos internos e novas exigências sanitárias da União Europeia pressionam margens da avicultura brasileira no segundo semestre
Frango sobe 12,2% e embargo europeu amplia custo regulatório para exportadores

A cadeia avícola brasileira atravessa, em junho de 2026, um cenário de compressão de margens provocado por fatores simultâneos no mercado interno e externo. De um lado, o preço do frango vivo registrou alta de 12,2% em maio, enquanto a carne permaneceu próxima de R$ 7,20 por quilo, conforme dados da Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV). De outro, a imposição de embargo por parte da União Europeia passou a exigir avanços em rastreabilidade e a adoção de restrições ao uso de antimicrobianos na produção, elevando os custos de adequação para os exportadores.
O impacto das medidas europeias tende a ser relevante diante da importância das proteínas animais na pauta exportadora brasileira. Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil exportou US$ 148,6 bilhões em mercadorias, somando 329,2 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Dentro desse volume, o desempenho do setor depende diretamente da manutenção do acesso a mercados exigentes, como o europeu.
Em resposta, entidades como a ABPA e a ABIEC já formalizaram pedidos de ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos, sinalizando que a adaptação às novas regras deixou de ser uma opção e passou a ser uma condição para competir no mercado internacional.
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No segmento aquícola, surgem novas preocupações. A produção de tilápia pode enfrentar risco de taxação nos Estados Unidos, conforme debatido durante a Aquishow 2026 pela Peixe BR. Como principal destino da aquicultura brasileira, o mercado norte-americano exerce forte influência sobre a competitividade do setor, e uma eventual sobretaxa pode favorecer concorrentes asiáticos.
Alternativas
Em paralelo, a avicultura brasileira tem buscado alternativas para compensar as pressões externas. As exportações de pés de frango para a China geraram receita de R$ 221 milhões, de acordo com o Canal Rural, evidenciando a estratégia de ampliar mercados e agregar valor a produtos de menor demanda no consumo doméstico.
A combinação de custos de produção em alta, exigências sanitárias mais rigorosas e riscos tarifários em mercados estratégicos desenha um segundo semestre desafiador para a proteína animal. Nesse ambiente, a diferença de desempenho entre empresas tende a se acentuar, favorecendo aquelas com maior capacidade de investimento em rastreabilidade, adequação regulatória e diversificação de destinos comerciais.
Fonte: ASGAV, Secex, ABPA, ABIEC, Peixe BR, MDIC























