Apesar dos protocolos reforçados, o retorno das aves ocorre em um cenário em que o Rio Grande do Sul já registrou casos de influenza aviária em 2023 e também em 2025, levantando dúvidas sobre os riscos sanitários em eventos de grande porte
Aves vivas na Expointer: segurança sanitária ou risco para a avicultura gaúcha?

Depois de dois anos de ausência, as aves vivas voltaram à Expointer 2025, em Esteio (RS). A decisão reacende uma questão central: é seguro permitir a presença desses animais em um evento de grande porte, especialmente após o Rio Grande do Sul registrar um caso de influenza aviária em granja comercial?
Estrutura reforçada, mas suficiente?
A Secretaria da Agricultura (SEAPI) e a comissão organizadora garantem que o retorno só foi autorizado após a instalação de um pavilhão totalmente telado, com barreiras físicas para impedir o contato entre aves expostas e silvestres. Além disso, a entrada dos animais depende de exames, atestados veterinários e fiscalização rigorosa de fiscais estaduais agropecuários.
Mas especialistas lembram que, mesmo com protocolos, nenhum sistema é infalível. O risco de entrada e disseminação de vírus em um espaço com grande circulação de público sempre existe, e a influenza aviária tem mostrado alta capacidade de propagação no mundo.
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Fiscalização intensa, mas desafios persistem
São 119 servidores estaduais mobilizados para atuar na vigilância do evento, incluindo fiscais agropecuários e técnicos agrícolas. A Afagro (Associação dos Fiscais Agropecuários do RS) defende que a forte presença da fiscalização é o que garante segurança e credibilidade à decisão.
No entanto, pesquisadores apontam que, na prática, falhas estruturais de biosseguridade ainda são comuns em granjas gaúchas, como vedação inadequada e acesso de aves silvestres. Isso levanta a dúvida: se há dificuldades no dia a dia da produção, seria possível manter o controle absoluto em um evento aberto ao público?
Impacto e responsabilidade coletiva
O retorno das aves foi comemorado por criadores, que veem na exposição uma oportunidade de valorizar raças e resgatar tradições. Foram registradas 381 aves e 542 pássaros, um aumento de quase 30% na participação de animais em relação a 2024.
Ainda assim, fica a pergunta: o ganho econômico e cultural compensa o risco sanitário? E mais — se um novo foco de influenza aviária surgisse a partir de um evento dessa magnitude, qual seria o impacto para a avicultura comercial, responsável por bilhões em exportações?
Conclusão em aberto
A volta das aves vivas à Expointer 2025 representa, ao mesmo tempo, um avanço simbólico para criadores e um desafio sanitário para autoridades e técnicos. Com protocolos reforçados, a feira busca garantir segurança, mas o debate permanece: em tempos de influenza aviária, o espaço de exposição é também um espaço de risco?





















