Entenda como a importação de carne de frango pode impactar o setor avícola do Egito e a estabilidade dos preços de alimentos
Representantes da indústria avícola egípcia criticaram a decisão do governo de autorizar a importação de aves e cortes avícolas como forma de conter a alta dos preços dos alimentos no período que antecede o Ramadã. Segundo o setor, a iniciativa pode comprometer a estabilidade da avicultura nacional.
De acordo com comunicado conjunto divulgado em 8 de fevereiro pelo Ministério da Agricultura e pelo Ministério do Abastecimento, o país pretende importar grandes volumes de aves congeladas e partes de frango para ampliar a oferta interna e reduzir os preços ao consumidor.
Venda ocorrerá por meio da rede varejista estatal
As importações incluirão aves inteiras, coxas e peitos de frango, que serão comercializados a preços subsidiados por meio da rede varejista estatal. O governo não detalhou os países de origem dos produtos, embora veículos da imprensa local indiquem que os principais fornecedores devem ser países europeus e o Brasil.
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Produtores apontam falta de lógica econômica
O anúncio provocou reação imediata do setor produtivo. Tharwat El-Zeiny, vice-presidente da União Avícola do Egito, afirmou que a abertura às importações não se justifica do ponto de vista econômico, uma vez que o país é amplamente autossuficiente na produção de carne de frango.
Segundo ele, além de atender à demanda interna, o Egito dispõe de excedente produtivo que permite exportações. Para o dirigente, os recentes aumentos de preços não decorrem de falta de oferta, mas de fatores macroeconômicos, como a volatilidade da taxa de câmbio da libra egípcia.
Preocupações com padrões religiosos de abate
Empresas locais também manifestaram preocupação quanto à possível entrada de produtos que não atendam às tradições islâmicas de produção e abate. El-Zeiny destacou que muitos países exportadores utilizam métodos de atordoamento elétrico ou por gás, o que pode dificultar a conformidade com os padrões exigidos no mercado egípcio.
O dirigente sugeriu que o governo poderia concentrar as importações em produtos específicos, como coxas de frango, que apresentam menor demanda em mercados ocidentais. Ele também observou que parte do volume importado pode ser composta por vísceras destinadas ao processamento de ração animal, e não ao consumo humano direto.
Histórico de proteção à indústria nacional
A importação de partes de aves tem sido amplamente evitada pelo Egito desde a década de 1980, como estratégia para proteger a produção local. Segundo representantes do setor, a retomada dessas compras externas representa uma mudança relevante na política de apoio à avicultura nacional.






















