Parasitas externos são uma ameaça significativa à avicultura nos EUA. Entenda o manejo integrado necessário para combatê-los
Parasitas externos ameaçam produtividade dos EUA e exigem manejo integrado nas granjas

A presença de parasitas externos segue como um dos principais desafios sanitários na avicultura comercial, com impactos diretos na produtividade, no bem-estar animal e, em situações mais severas, na mortalidade dos plantéis. De ácaros e piolhos a pulgas e besouros tenebrionídeos, esses artrópodes comprometem o desempenho das aves e exigem estratégias de controle cada vez mais eficientes.
O tema foi destaque em um webinar promovido pelo Serviço de Extensão da Universidade do Arkansas, no qual os especialistas Barry Whitworth, da Universidade Estadual de Oklahoma, e Dustan Clark, da Universidade do Arkansas, abordaram as principais ameaças e práticas de manejo voltadas ao controle desses parasitas na produção avícola.
Principais parasitas externos exigem atenção constante nas granjas
Entre os agentes mais relevantes na avicultura comercial, o ácaro-do-norte das aves se destaca como uma das principais ameaças, especialmente nos Estados Unidos. Trata-se de um parasita hematófago que permanece no hospedeiro durante todo o ciclo de vida, que pode variar de cinco a doze dias, favorecendo rápida disseminação no plantel.
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Outro desafio importante é o ácaro vermelho das aves, mais comum na Europa, mas também presente em outros mercados. Diferentemente do ácaro-do-norte, esse parasita se alimenta durante a noite e se abriga nas instalações durante o dia, dificultando o controle.
Os piolhos também estão entre os ectoparasitas mais frequentes, completando todo o seu ciclo de vida nas aves. Já o besouro tenebrionídeo, embora não se alimente diretamente dos animais, representa risco relevante por atuar como reservatório de patógenos. Percevejos e outros insetos também podem causar irritação, perda de sangue e estresse nas aves.
Infestações comprometem produção e elevam custos na avicultura
Os impactos econômicos das infestações por parasitas externos são significativos. Entre os principais efeitos estão a redução na produção de ovos, piora na conversão alimentar e menor ganho de peso. Em muitos casos, há aumento no consumo de ração, já que as aves tentam compensar as perdas causadas pelos parasitas hematófagos.
Do ponto de vista sanitário, as consequências incluem anemia, irritações cutâneas, lesões nas penas e maior predisposição a infecções secundárias. Em situações mais graves, especialmente em aves jovens, as infestações podem levar à morte. Alguns parasitas também atuam como vetores de doenças, ampliando os riscos dentro da granja.
Controle eficiente depende de biosseguridade e monitoramento contínuo
Segundo os especialistas, o controle eficaz desses parasitas exige uma abordagem integrada, que vá além do uso isolado de produtos químicos. A base do manejo está na prevenção, com foco em biosseguridade e boas práticas sanitárias.
Medidas como restrição do acesso de aves silvestres e roedores, higienização rigorosa das instalações, monitoramento frequente dos plantéis e quarentena de novas aves são fundamentais para reduzir o risco de infestação. A detecção precoce é apontada como um dos fatores mais importantes para o sucesso no controle.
Tratamentos químicos e alternativas ganham espaço no manejo
No controle direto, inseticidas à base de piretrinas e piretroides são amplamente utilizados contra ácaros e piolhos, exigindo atenção às recomendações de uso e intervalos de aplicação. Produtos mais recentes, como o fluralaner, têm demonstrado alta eficácia no controle de ácaros quando administrados via água de bebida.
No entanto, nenhum tratamento disponível elimina os ovos dos parasitas, o que torna necessário o retratamento para interromper o ciclo biológico. Além disso, a rotação de princípios ativos é recomendada para evitar o desenvolvimento de resistência.
Diante desse cenário, alternativas não químicas vêm ganhando relevância, especialmente em sistemas de produção orgânica. Práticas como o uso de banhos de areia com terra diatomácea, aplicação de enxofre em pó e o uso de óleos essenciais têm apresentado resultados promissores, embora ainda demandem mais validação em campo.
Manejo integrado é chave para reduzir riscos sanitários na avicultura
A recomendação central dos especialistas é que produtores adotem estratégias multifatoriais, combinando biosseguridade, monitoramento contínuo e diferentes métodos de controle. A atuação conjunta com médicos veterinários também é considerada essencial, especialmente em decisões relacionadas ao uso de medicamentos.
O avanço no controle de parasitas externos passa, portanto, pela compreensão das dinâmicas de infestação e pela adoção de práticas consistentes no manejo sanitário. Em um cenário de crescente exigência por eficiência produtiva e bem-estar animal, a sanidade se consolida como um dos pilares da competitividade na avicultura moderna.
Referência: WATTAgnet





















