Apesar da melhora na estimativa anual impulsionada pelo primeiro trimestre, ministério alerta para desaceleração no período seguinte e eleva previsão da inflação de alimentos
Fazenda eleva projeção de crescimento do PIB do agro para 1,8%

O Ministério da Fazenda revisou para cima a estimativa de crescimento do PIB do agronegócio para 2026, elevando a projeção de 1,2% para 1,8%. Os dados constam no novo Boletim MacroFiscal divulgado pela pasta. Apesar do ajuste positivo, o governo prevê um ritmo bem mais modesto para o setor em comparação com o forte desempenho do ano anterior, que fechou com uma disparada de 11,7%.
A revisão foi sustentada pela forte arrancada no início do ano, quando o PIB agropecuário cresceu 2% no primeiro trimestre. Para o período seguinte, no entanto, a Fazenda projeta uma desaceleração expressiva, estimando um avanço de apenas 0,6% para o segundo trimestre.
Culturas como café, soja, cacau e cana-de-açúcar, além do setor de abate de bovinos, foram os principais responsáveis por segurar o índice no campo positivo. No lado oposto, as safras de algodão, arroz, feijão e milho registraram retrações que pesaram contra o resultado do período.
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Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB projetado para o período representa uma expansão de 2,5%. Já no acumulado de 12 meses, considerando as estimativas atuais, o crescimento do setor deve atingir 4,9%.
Inflação e o fator El Niño no radar
Se o PIB do campo traz um alívio moderado, o comportamento dos preços ao consumidor acende o sinal de alerta na Esplanada dos Ministérios. A alta nos preços dos alimentos foi a principal responsável por pressionar o IPCA no acumulado do ano, apresentando oscilações bem acima do padrão histórico para o período.
Com isso, a projeção oficial da Fazenda para a inflação de 2026 subiu de 4,9% para 5,3%. Para 2027, a estimativa também foi ajustada para cima, passando de 4% para 4,2%.
De acordo com o ministério, os impactos do fenômeno climático El Niño devem continuar influenciando diretamente a inflação de alimentos ao longo do segundo semestre, com efeitos ainda mais intensos previstos para 2027. Outro fator de atenção é o custo de produção: a pasta prevê pressões decorrentes de choques na oferta e demanda de fertilizantes, que podem ser agravadas pelo cenário de conflitos no Oriente Médio.
No atacado, a inflação deu sinais de acomodação. O índice que mede os preços ao produtor saiu de uma queda de 9,7% em abril para uma retração mais leve de 3,4% em junho. O movimento foi puxado pela reação recente nas cotações do milho e da batata-inglesa, além de uma queda menos acentuada nos valores da soja e do leite in natura.
Fonte: CNN























