Formação de estoques públicos busca estabilizar preços do insumo, enquanto cotação do frango avança 6% no mercado de São Paulo
Conab adquire 191 mil toneladas de milho para mitigar impactos climáticos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adquiriu nesta terça-feira (23) um volume de 191 mil toneladas de milho para a formação de estoques públicos. A operação tem como objetivo principal mitigar os impactos do fenômeno El Niño sobre a oferta de grãos, buscando garantir o abastecimento interno e estabilizar os preços do insumo, que representa a maior parcela da estrutura de custos das cadeias de aves e suínos. A intervenção estatal ocorre em um momento estratégico para assegurar a previsibilidade das margens dos produtores de proteína animal ao longo dos próximos meses.
O movimento do governo federal ocorre em paralelo ao avanço da safra nacional e à movimentação do mercado internacional. O plantio do milho verão atingiu 29% da área projetada, enquanto o volume de soja registrou 5,6 milhões de toneladas em julho. No cenário externo, a competitividade do grão brasileiro enfrenta a dinâmica da oferta global, evidenciada pela alta de 11,6% nas inspeções de exportação de soja dos Estados Unidos na última semana, conforme dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O aumento no ritmo de embarques norte-americanos influencia diretamente a formação de preços na Bolsa de Chicago, com reflexos imediatos na paridade de exportação e nos custos de formulação de ração no mercado doméstico brasileiro.
Na ponta do consumo, o repasse de custos e a dinâmica de oferta já refletem nos preços da proteína animal comercializada no atacado e no varejo. O preço do frango registrou uma alta de 6% em setembro, impulsionado pelo fortalecimento da demanda no mercado de São Paulo, conforme dados da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav). O movimento reflete a dinâmica de consumo interno para a proteína avícola, que costuma ganhar preferência em cenários de orçamento familiar mais restrito.
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Esse cenário de consumo interno dialoga diretamente com as novas projeções macroeconômicas do governo federal. O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,0% em 2026, apontando justamente uma desaceleração no setor agropecuário. O ajuste macroeconômico pode influenciar não apenas o consumo interno de proteínas nos próximos trimestres, mas também o custo do crédito rural, exigindo maior cautela na gestão financeira das granjas e agroindústrias diante de um cenário de margens potencialmente mais apertadas.
Da Redação
























