Consumo doméstico fraco força produtores a concederem descontos severos na granja em julho; surto de gripe aviária em território chileno reaquece embarques brasileiros
Preço do ovo vermelho desaba quase 40% no ES com estoques altos, enquanto Chile puxa alta nas exportações

O setor de postura (produção de ovos) do Brasil vive uma realidade de fortes contrastes neste início de segundo semestre de 2026. De um lado, as granjas brasileiras enfrentam um mercado doméstico fragilizado e desaquecido, que obriga os produtores a eliminarem as margens extras das variedades mais caras para evitar o encalhe de estoques. De outro, as exportações dão sinais de fôlego renovado, funcionando como um alívio parcial graças a problemas sanitários em países vizinhos.
Mercado Interno: Sobra de estoques encolhe diferença entre branco e vermelho
A queda expressiva na liquidez do mercado doméstico durante a primeira quinzena de julho provocou uma desvalorização acentuada no preço do ovo vermelho — historicamente mais caro e voltado a nichos de maior valor agregado. Com os estoques se acumulando rapidamente nos pátios das granjas, os produtores foram forçados a conceder descontos agressivos para incentivar o escoamento.
Essa pressão de oferta praticamente eliminou o prêmio de preço que a variedade vermelha mantinha sobre a branca. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a praça de Santa Maria de Jetibá (ES) registrou a menor diferença de preços do ano entre os dois tipos de ovos.
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Aproximação de preços: Na parcial de julho (até o dia 15), a diferença média entre o ovo branco e o vermelho ficou em R$ 15,22 por caixa.
Tombo real: Esse valor representa um estreitamento drástico de 38,6% na comparação direta com o mês de junho.
Comparativo anual: Em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de junho/2026), a diferença atual é 24,4% menor do que a registrada em julho de 2025.
Mercado Externo: O “Efeito Chile” abre as portas para o produto brasileiro
Se o consumidor interno está cauteloso, o mercado externo voltou a abrir espaço para os ovos do Brasil. Em junho, os embarques brasileiros de ovos in natura e processados totalizaram 2,59 mil toneladas, registrando uma alta de 19% em relação ao volume exportado em maio. Apesar de a base de comparação anual ainda mostrar um recuo acentuado de 60% frente a junho de 2025, o resultado confirma uma tendência de recuperação mensal sustentável.
O grande propulsor desse avanço é o Chile, que se consolidou pelo quinto mês seguido como o maior comprador do produto brasileiro. Em junho, o mercado chileno absorveu sozinho 1,87 mil toneladas de ovos do Brasil, um expressivo salto de 41% frente ao mês anterior.
Essa explosão de compras por parte dos chilenos tem um motivo sanitário grave:
Gripe Aviária na origem: Em abril de 2026, o Chile registrou seu primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial.
Abastecimento brasileiro: A perda de rebanhos de postura locais forçou o país andino a importar em massa para suprir a demanda da sua população, beneficiando a produção brasileira, que continua ostentando o status de livre da doença em planteis comerciais.
O Desafio da Porteira para Dentro
O momento exige destreza dos produtores de postura e de toda a cadeia de avicultura nacional. Embora a alta das exportações traga fôlego e o rali nos preços do milho e farelo de soja (principais componentes da ração) exija cautela orçamentária, é o comportamento do consumidor brasileiro que dita o ritmo das margens no curto prazo.
A expectativa de analistas do Cepea é de que o consumo interno de ovos continue pressionado e desacelerando na segunda metade de julho. Sem uma reação robusta do poder de compra das famílias nos supermercados, a tendência é que os preços na granja permaneçam sob forte marcação, restando ao setor produtivo torcer para que as rotas de exportação continuem absorvendo volumes crescentes.
Da Redação, com informações do Cepea























