Medida atende a pleito histórico do setor produtivo e marca mudança de estratégia no país, reduzindo a dependência do abate em massa após surtos devastadores
África do Sul aprova marco regulatório para vacinação contra influenza aviária

A indústria avícola da África do Sul se prepara para uma mudança histórica em sua política de defesa sanitária. O Departamento de Agricultura do país aprovou um novo marco regulatório que permitirá aos produtores vacinar seus planteis contra a Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP). A medida representa uma guinada estratégica: o país deixa de depender quase que exclusivamente do sacrifício em massa de aves e passa a adotar um modelo que combina imunização, biosseguridade rigorosa e vigilância epidemiológica.
A mudança na legislação ocorre após forte pressão da Associação Sul-Africana de Avicultura (SAPA). A entidade argumentava formalmente que as medidas de controle vigentes no país haviam se tornado impraticáveis e economicamente insustentáveis para os avicultores. Diante de surtos recorrentes da doença, o setor alegava que os produtores estavam sem ferramentas legais e modernas para proteger os planteis e mitigar os prejuízos.
Com as novas emendas ao Regulamento de Doenças Animais, o uso de vacinas contra a IAAP passa a ser permitido, mas sob estrita supervisão do governo. O Departamento de Agricultura continuará centralizando as aprovações, estabelecendo faixas de aplicação e fiscalizando o cumprimento das normas de campo.
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Vacinação aliada à biosseguridade e foco nas exportações
As autoridades sul-africanas fizeram questão de destacar que a introdução da vacina não substitui as barreiras sanitárias já existentes dentro das propriedades. Pelo contrário, a imunização funcionará como uma camada extra de proteção que deve caminhar lado a lado com o reforço na biosseguridade das granjas e com a vigilância ativa.
Outro ponto crítico do plano é a preservação do comércio internacional. Para salvaguardar as exportações de carne de frango e derivados da África do Sul, os programas de vacinação adotarão metodologias capazes de diferenciar, por meio de testes laboratoriais, as aves que foram vacinadas daquelas que eventualmente foram infectadas pelo vírus de campo (estratégia conhecida internacionalmente como DIVA). Essa diferenciação é vital para manter a transparência e a confiança dos parceiros comerciais estrangeiros.
Reconstruindo a resiliência do setor
A urgência por uma solução de longo prazo é reflexo dos impactos profundos deixados por crises recentes. O setor avícola sul-africano enfrentou surtos devastadores nos últimos anos, tendo o ano de 2023 como um dos períodos mais críticos de sua história.
Naquela ocasião, a rápida disseminação do vírus e a necessidade de abates sanitários em larga escala resultaram na perda de milhões de aves. O impacto direto foi sentido na mesa da população, com um desabastecimento severo de ovos no mercado interno, forte interrupção na cadeia de abastecimento e disparada nos preços dos alimentos para o consumidor final.
Com o novo modelo regulatório, o governo e a iniciativa privada esperam construir um cinturão de resiliência na avicultura sul-africana, protegendo a segurança alimentar do país e evitando que novos surtos ganhem proporções descontroladas.
Fonte: Poultry World























