Óleo de tilápia é utilizado na fabricação de biodiesel e ração animal. Técnica de extração do óleo é inovadora e pode ser aplicada aos resíduos da pesca de peixes de outras espécies.
Resíduos da pesca aproveitados
A criação de tilápias em cativeiro é uma atividade muito explorada no Açude Castanhão, construído sobre o leito do rio Jaguaribe, situado no Ceará. Após a pesca, os piscicultores costumavam descartar as vísceras da tilápia no entorno do açude, poluindo o local.O empreendedor André de Freitas realizava pesquisas sobre o aproveitamento desse material na região e notou uma oportunidade de negócio inovadora: utilizar os resíduos da pesca para a produção de óleo de tilápia.
Em 2009, André abriu a empresa Piscis Soluções Ambientais no município de Jaguaribara (CE) e desenvolveu um sistema de coleta de resíduos para a fabricação de óleo. Quiosques coletam as vísceras da tilápia, que são transportadas até a empresa por motos com reboque e caminhão. O material é submetido a um processo biotecnológico para a extração do óleo, que pode ser utilizado na fabricação de biodiesel, sabão e na alimentação animal.
A técnica de extração do óleo é inovadora e pode ser aplicada aos resíduos da pesca de peixes de outras espécies como do tambaqui, pacu, entre outros.
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Antes dessa iniciativa, as vísceras de tilápia eram lançadas no entorno do açude, queimadas ou enterradas, poluindo a região. O despejo podia provocar a proliferação de urubus e porcos nestes locais, comprometendo a saúde da população ribeirinha.
Parcerias – A parceria entre o Sebrae e a Piscis foi fundamental para a conscientização dos piscicultores sobre a destinação correta dos resíduos do pescado. De acordo com André de Freitas, as ações educacionais proporcionadas pelo Sebrae favoreceram o aumento do volume de vísceras coletadas, resultando em maior produção e impactos positivos ao meio ambiente, com a retirada dos resíduos do entorno do Açude Castanhão. Em média, são coletados quatro mil quilos de vísceras por mês.
Atualmente, a empresa produz o óleo da tilápia para o mercado local de produção de rações balanceadas e investe no desenvolvimento tecnológico e de gestão. O projeto da Piscis foi selecionado para receber recursos do Fundo de Inovação Tecnológica (FIT), que são aplicados no aproveitamento integral dos resíduos da pesca para a produção de concentrado energético e composto orgânico.





















