Uma nova tecnologia para o cultivo de eucalipto para a produção de energia está em fase experimental em Botucatu, no interior de São Paulo.
Alternativa de cultivo de eucalipto privilegia produção de biomassa

Em uma área de 10 hectares, a equipe de pesquisadores do Núcleo de Ensaios de Máquinas e Pneus Agroflorestais (Nempa), ligado à Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, faz experimentos para otimizar o plantio voltado para a produção de biomassa. Quatro tipos de espaçamentos estão sendo testados, com até cinco vezes mais árvores por hectare do que normalmente é plantado. Também está sendo estudado o tipo de clone que melhor se adéqua ao objetivo. As mudas são cultivadas em estufas climatizadas com umidade controlada e aos 45 dias são transplantadas para o terreno.
O projeto terá três anos de duração, com avaliações econômicas e de desempenho antes de ser disponibilizado para o mercado. “Periodicamente realizamos testes para verificar o rendimento da plantação. A floresta mais densa, por exemplo, gera competitividade entre os indivíduos que precisam se esticar para obter luz solar, o que resulta em árvores mais esguias e alongadas. Como as árvores não serão utilizadas para lenha ou chapas de madeira o diâmetro não é o mais importante”, explica Saulo Guerra, engenheiro florestal e coordenador do Nempa. O pesquisador vai apresentar o projeto no Fórum Brasileiro de Biomassa Florestal, no dia 19 de novembro, em Lages (SC), com a palestra “Alternativas para a colheita florestal, com foco na produção de biomassa”.
“Um dos diferenciais dessa alternativa é o tempo reduzido de colheita, que é de um ano e meio a dois, enquanto o método tradicional exige de cinco a sete anos para o primeiro corte. Depois de cortados, os eucaliptos crescem novamente sem necessidade de replantio, pelo menos nesse primeiro momento”, destaca o especialista. A colheita precoce do eucalipto será realizada em 2012, nos moldes de uma cultura de linha, como cana ou milho e em seguida transformada em cavaco pelo mesmo equipamento, já pronto para ser transportado.
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Guerra ressalta que existe pouca produção de eucalipto destinada à produção de biomassa e que esse pode ser um nicho interessante para o empresariado brasileiro. “Até 2020 o continente europeu pretende ter 20% da sua energia proveniente de fontes renováveis. Esse aumento na demanda pode se converter em uma oportunidade de negócios para o Brasil”, observa.mento e encarar o futuro. Nele, longe do preservacionismo puro e do vândalo produtivismo, se encontram as florestas energéticas.





















