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Bioenergia

Petroquímica troca gás por eucalipto e projeta energia 43% mais barata

Em projeto pioneiro para o setor, em parceria com a ERB, planta baiana da Dow promete reduzir em um terço as emissões de gases.

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Petroquímica troca gás por eucalipto e projeta energia 43% mais barata

É do vapor do eucalipto que a petroquímica multinacional Dow pretende extrair até dois terços da fonte de energia para operação do complexo fabril em Aratu, no município de Candeias (BA). Em um setor tradicionalmente poluidor, a empresa está em fase final de instalação de uma planta que viabilizará a geração de energia por meio do vapor de eucalipto, em parceria com a Energias Renováveis do Brasil (ERB). “Trata-se de um projeto pioneiro no mundo de produção de vapor via biomassa para uma petroquímica”, diz Claudia Schaeffer, diretora de Energia e Mudanças Climáticas na Dow América Latina.

O vapor será 100% produzido a partir da combustão de cavaco de eucalipto. Com o novo processo, a empresa estima que 169 mil toneladas de dióxido de carbono deixarão de ser lançadas na atmosfera por ano. Uma redução de 33% em relação às emissões de Aratu no ano passado.

Segundo Suani Coelho, coordenadora do Centro Nacional de Referência em Biomassa, o processo já é amplamente utilizado nos setores sucroalcooleiro (via bagaço de cana), papel e celulose (com o próprio eucalipto) e de serrarias. “Fora do Brasil, em países como Quênia e Uganda, esse processo é usado nas fábricas de chás”, compara.

Entre as petroquímicas, no entanto, o uso de fontes de energias sustentáveis não é recorrente. Mas a especialista alerta que o custo da biomassa é determinante para o sucesso do processo. “A biomassa é totalmente afetada pelo custo da logística. Caso as condições sejam favoráveis, o custo da geração de energia pode ser reduzido.”

Segundo cálculos da própria Dow, com o novo projeto, o custo da energia, que atualmente está na casa dos US$ 14 por BTU com o uso do gás natural, deverá cair para US$ 8 por BTU, uma redução de 43%. “Nos Estados Unidos, esse custo é de US$ 3”, compara Claudia.

No projeto, a ERB investiu R$ 265 milhões na construção da unidade de cogeração de vapor e energia elétrica no complexo fabril de Aratu, a maior instalação da Dow no Brasil. A Dow, por sua vez, fechou um contrato de 20 anos para a compra da energia gerada por meio do vapor da biomassa.

O projeto também terá a cogeração de 12 MW de energia elétrica, que será comercializada por meio da rede elétrica da Bahia. O volume é suficiente para suprir o consumo mensal de 56 mil casas.

Segundo a diretora de Energia e Mudanças Climáticas da Dow, a previsão é que as operações com energia de vapor de eucalipto comecem em setembro de 2013. “Nossa meta é operar dois terços do complexo fabril com biomassa e um terço com gás. Esperamos estar rodando dentro dessa situação no segundo semestre de 2014.”

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