Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 69,28 / kg
Soja - Indicador PRR$ 119,94 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 126,17 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,08 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,85 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,77 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,60 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,52 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,67 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 158,55 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 166,43 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 174,45 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 183,29 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 149,18 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 167,73 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,26 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,31 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.173,45 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.086,74 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 175,87 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 157,65 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 158,10 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 168,54 / cx
Meio Ambiente - Economia

Aquecimento global tem impacto sobre PIB agrícola

O prejuízo ao agronegócio brasileiro atingiu R$ 10 bilhões só na safra de 2013 devido a problemas climáticos.

Aquecimento global tem impacto sobre PIB agrícola

Pesquisadores apontam caminhos para a sustentabilidade do agronegócio no país, mas também expõem os dilemas da atividade quando o assunto é o combate ao desmatamento ilegal e a redução das emissões dos gases do efeito-estufa. A não adoção das medidas recomendadas pela comunidade científica pode representar perda de 2,5% do PIB agrícola devido ao aquecimento global. Não é pouco para um setor que responde por cerca de 30% da economia nacional.

“O prejuízo ao agronegócio brasileiro atingiu R$ 10 bilhões só na safra de 2013 devido a problemas climáticos”, diz Eduardo Assad, coordenador do grupo de pesquisa de mudanças climáticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo ele, o Brasil fez um esforço mundial para a redução das emissões dos gases do efeito-estufa. “Mas chegar a 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento por ano e voltar a crescer para 6 mil quilômetros quadrados, como aconteceu no ano passado, é um absurdo. Avança-se com os agricultores e pecuaristas, mas as madeireiras recrudescem”, diz. “Os discursos no governo federal são conflitantes. O Ministério do Meio Ambiente tenta avançar, mas o rodízio de ministros no Ministério da Agricultura não ajuda.”

Estudos da comunidade científica apontam há pelo menos uma década mudanças significativas no mapa agrícola, hidrográfico e florestal do Brasil por causa do aquecimento global. A estimativa média para as bacias de todos os rios do Norte e do Nordeste do país é de redução de 20% no volume de água. A migração de culturas agrícolas já provocou uma redução de 36% no cultivo do café em São Paulo, entre 1998 e 2008, enquanto a plantação de seringueiras no Estado cresceu 67% no período.

O aumento da temperatura vai provocar fenômenos meteorológicos que vão prejudicar mais fortemente a população pobre, mas também a perda de volume das bacias hidrográficas que abastecem os grandes centros urbanos. As cidades da costa brasileira também vão sofrer com o aumento das ressacas marítimas e dos ventos causados pelo mar mais aquecido.

As soluções apontam para medidas que vêm sendo adotadas, mas não no ritmo necessário. Entre 1990 e 2012, o país registrou aumento de 7% na emissão de gases do efeito-estufa em comparação a 37% de aumento das emissões globais, mas poderia ter baixado ainda mais com um aumento da produtividade e a recuperação de pastagens degradadas.

Uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp) em parceria com nove unidades da Embrapa constatou que há 11 milhões de hectares de pastagens ociosas na região Norte que poderiam abrigar 15 milhões de cabeças – quase 20% do rebanho de cerca da 80 milhões de cabeças da Amazônia Legal. A adoção do programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do Ministério da Agricultura, como a integração lavoura-pecuária-floresta, poderia fornecer ainda um ganho no estoque de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito-estufa.

Em outra frente há os ganhos de produtividade. Pesquisas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicam que um aumento de 1,2 para 1,7 cabeça por hectare liberaria 60 milhões de hectares para a agricultura e para o reflorestamento.

É nisso que aposta o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável. Formado por mais de 60 associados – entre indústrias, produtores, varejistas, bancos, centros de pesquisa e universidades – com o objetivo de fomentar a harmonização da atividade com o meio ambiente, o GTPS desenvolve o Programa Pecuária Sustentável na Prática em cinco Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Bahia.

O projeto tem financiamento de R$ 3 milhões da Fundação Solidaridad, por meio do fundo do governo holandês Farmer Support Programme, e uma contrapartida de R$ 9 milhões dos parceiros locais. Compartilha os princípios de melhoria contínua, transparência, ética e adequação legal.

Na contramão dos esforços para melhorar o manejo do rebanho e liberar áreas para o reflorestamento, uma pesquisa da ONG americana Forest Trends aponta que a perda florestal no Brasil foi responsável por um quarto de todas as florestas abatidas no mundo entre 1990 e 2010. Entre 2000 e 2012, a agropecuária foi responsável por metade do desmatamento ilegal nos países tropicais. No Brasil, até 90% da derrubada ilegal da floresta neste período ocorreram para dar lugar ao gado e à soja. Parte dos produtos cultivados nessas áreas ilegais vai para o mercado externo: até 17% da carne e 75% da soja. Os destinos incluem Rússia, China, Índia, União Europeia e EUA.

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