BNDES alerta que a crise já gerou uma queda de pelo menos 20% nas linhas de crédito à exportação no Brasil em outubro e outra queda de 51% na primeira semana de novembro.
Exportações brasileiras podem se agravar em 2009
Redação (13/11/2008)- A crise está custando cada vez mais caro aos exportadores brasileiros e pode se agravar em 2009. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) alerta que a crise já gerou uma queda de pelo menos 20% nas linhas de crédito à exportação no Brasil em outubro e outra queda de 51% na primeira semana de novembro, afetando um volume de vendas superiores a US$ 16 bilhões. No total, a Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta que o déficit de liquidez para o comércio no planeta já chega a US$ 25 bilhões e quer que a cúpula de Washington neste fim de semana lide com o problema de forma urgente. Tanto para o BNDES como para a OMC, se uma solução não for encontrada, 2009 verá um fluxo de comércio que irá desabar.
Ontem, a OMC reuniu técnicos das principais organizações e dos países para tratar do assunto. Mas não conseguiu chegar a um resultado e apenas recomendará que os líderes do G20 em Washington que tomem medidas para compartilhar os riscos das linhas de empréstimos com os bancos comerciais. Mas o BNDES hesita em aceitar essa proposta. Para a diplomacia brasileira, o atual sistema de financiamento do comércio precisa ser revisto. “O sistema internacional mostrou seus limites e o modelo de financiamento das exportações fracassou”, alertou Roberto Azevedo, o embaixador do Brasil na OMC. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a média diária de concessão de empréstimos via Adiantamento de Crédito Cambial (ACC) na primeira semana de novembro foi 51,3% menor que a média diária de outubro. Para dar uma resposta à crise, o governo brasileiro dará R$ 10 bilhões em linhas de crédito para cerca de 200 empresas exportadoras e companhias locais que tenham sido vítimas da redução na disponibilidade de créditos no mercado. O vice-presidente da instituição, Armando Mariante, confirmou que o pacote será anunciado “em poucos dias”. “A crise é severa e as linhas de crédito secaram. O que não podemos deixar ocorrer é que empresas que apostaram no real agora sofram”, afirmou Mariante, que esteve ontem na OMC. “O pacote não vai evitar que as empresas tenham prejuízos. As perdas vão continuar.
Mas pelo menos temos de salvá-las e não deixar que acabem fechando”, afirmou. “Manter as empresas é fundamental, tanto para a renda como para a criação de empregos”, disse. No início da crise, o BNDES já anunciou que disponibilizaria US$ 5 bilhões. Desse total, cerca de US$ 2 bilhões já estão comprometidos. “Mas a demanda está alta”, afirmou. Segundo Mariante, houve uma “redução drástica” nas linhas de crédito ao Brasil em outubro, resultado da crise. “Essa questão terá de ser solucionada”, alertou. Para ele, a nova fase da crise será a que está afetando as exportações mundiais. A OMC vai agora enviar uma carta aos líderes do G20 pedindo que a questão do financiamento ao comércio seja tratada com urgência neste fim de semana. A idéia da OMC é de que pelo menos os governos compartilhem os riscos das operações de comércio exterior com bancos comerciais. No encontro de hoje, bancos como HSBC e outros estiveram presentes, alertando que a crise não se limita ao setor comercial. A crise também atinge pequenas e médias empresas e mesmo o crédito agrícola. Para Pascal Lamy, diretor da OMC, a situação dos exportadores é ruim e deve piorar. “Há uma queda de volumes (de exportações)”, disse. O Banco Mundial acaba de anunciar que está triplicando as linhas de créditos para as exportações, chegando a US$ 3 bilhões.
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