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Moscou muda cotas e privilegia os americanos

A nova distribuição de cotas russas, revelada por fontes européias, foi recebida pelo setor privado brasileiro como mais uma discriminação contra suas vendas.

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Redação (16/12/2008)-  A Rússia retirou fatias de mercado de carnes do Brasil e deu para os Estados Unidos, além de aumentar as tarifas de importação fora da cota, o que afetará duramente as vendas brasileiras para aquele mercado. A decisão russa ocorre três semanas depois da visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao presidente Luiz Inácio Lula Silva, em Brasília. Na ocasião, o Brasil comprou 12 helicópteros de combate russo para as forças armadas brasileiras. 

A nova distribuição de cotas russas, revelada por fontes européias, foi recebida pelo setor privado brasileiro como mais uma discriminação contra suas vendas, em meio à crise generalizada no comércio mundial. 

O setor privado espera agora uma dura reação por parte do Itamaraty, e alguns consideram que ela já virá tarde demais. 

“O que o Itamaraty está fazendo?”, reclamou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína – Abipecs, Pedro de Camargo Neto. “Compramos helicópteros enquanto os EUA invadem a Geórgia, e os russos sequer mantêm o volume do nosso comércio que tinham prometido em acordo assinado com o presidente Lula em 2005”. 

Na sua nova decisão, o Ministério russo de Desenvolvimento Econômico aumentou a cota de importação de carne suína, com tarifa menor, de 493 mil para 531 mil toneladas. Na mudança, os EUA ganham e o Brasil perde. A fatia americana saiu de 40,3 mil toneladas para 100 mil toneladas. Já o Brasil vendia e dominava a cota para “outros países”. Essa fatia era de 197 mil em 2008 e cai para cerca de 177 mil para o ano que vem. 

Para os exportadores de frango, o cenário é pior. A cota geral russa foi reduzida de 1,2 milhao de toneladas este ano para 952 mil toneladas em 2009. Para o Brasil, a cota “outros” desmorona de 71 mil toneladas para apenas 12.400. A parte do Paraguai cai de 5 mil toneladas para 3.800. A parte dos EUA cai de 931 mil para 750 mil. A da UE, de 244 mil para 185 mil toneladas para 2009. 

Ao mesmo tempo, o governo russo aumentou as tarifas de importação fora da cota. Para o frango, a alíquota passa de 60% para 95%, e de não menos de 480 por tonelada para ? 800 por tonelada. No caso da importação de carne suína, a taxa sobe de 60% para 75%, mas não menos de ? 1.500 por tonelada, comparado a ? 1.000 euros este ano. 

“Vamos engolir mais um sapo dos russos?”, questionou Christian Lobhauer , diretor-executivo da Abef (reúne os exportadores de frango), para quem o Brasil é o maior prejudicado com a medida dos russos. 

A embaixada brasileira não tinha recebido oficialmente até ontem as novas cotas. Mas negociadores não escondiam a insatisfação com a decisão russa, ainda mais que o grosso do comércio bilateral envolve carnes e açúcar. 

Para o presidente Lula, a decisão de Moscou é amarga e representa uma derrota. O setor de carnes tinha feito a Lula um pedido para levar ao presidente russo Medvedv na conversa de ambos ha três semanas em Brasília: que as cotas russas fossem estabelecidas sem discriminação, ou seja, na base do primeiro que chega é o primeiro que se serve. Atualmente, é cota para os principais países com base em volume de comércio do passado. Além disso, pediram uma cota só para o Brasil em frango e suínos e a redução das tarifas de importação.

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